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    Saúde

    Terapia celular promete liberar diabéticos das injeções diárias de insulina

    RedaçãoPor Redação7 de julho de 2025
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    Após injeção única de células transplantadas, 10 dos 12 participantes do estudo pararam de tomar insulina externa.

    Em um estudo recente, que pode ser considerado transformacional, uma equipe de cientistas, liderada por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, apresenta uma terapia celular inédita para diabetes tipo 1 que pode eliminar a necessidade de injeções de insulina.

    Publicada no New England Journal of Medicine, a pesquisa oferece uma esperança real para os mais de oito milhões de pessoas que vivem globalmente com essa condição, segundo dados da Federação Internacional de Diabetes, representando o que podemos chamar de cura funcional da doença.

    Diferente do hormônio que precisa ser tomado antes de todas as refeições pelo resto da vida, o tratamento chamado zimislecel é administrado uma única vez. É como um “transplante microscópico” feito com infusão única de células pancreáticas (uma versão artificial das ilhotas de Langerhans).

    Considerada um marco na medicina regenerativa, as células criadas a partir de células-tronco não são apenas “parecidas” com as ilhotas naturais, mas são indistinguíveis delas, segundo o estudo. E, uma vez no corpo, são funcionalmente idênticas, detectando glicose, produzindo insulina e regulando hormônios.

    Como essa insulina não é sintética, mas sim produzida pelo próprio organismo da pessoa, isso significa que o corpo volta a funcionar como se nunca tivesse tido diabetes. Um ano após o tratamento, 10 dos 12 participantes não precisavam mais de insulina suplementar.

    A médica Andressa Heimbecher, doutora em Endocrinologia pela Universidade de São Paulo (USP), avalia que, apesar de estar na fase 2 e ainda com poucos pacientes, a expectativa é de que em cerca de 10 anos tenhamos uma terapia segura, replicável e em escala planetária.

    Pesadelo diário para milhões de pessoas no mundo, o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune porque o próprio sistema imunológico da pessoa ataca e destrói as células produtoras de insulina. Sem esse hormônio produzido pelo pâncreas, o açúcar fica no sangue e as células morrem de fome.

    A insulina do pâncreas de cães, porcos e bovinos tem sido usada pelos humanos desde 1922. Atualmente, monitores contínuos de glicose e bombas de insulina ajudam pacientes a rastrear o açúcar sanguíneo e ajustar suas doses. Mas essas ferramentas não conseguem evitar completamente os picos de glicose.

    Como a insulina injetável não se ajusta automaticamente às necessidades do momento, picos muito altos de açúcar (hiperglicemia) podem causar danos renais, nervosos e oculares, enquanto níveis muito baixos podem provocar desmaios ou morte.

    Em 2023, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) aprovou uma terapia usando células pancreáticas de doadores falecidos para substituir as células produtoras de insulina perdidas. Mas, como os pacientes geralmente precisam de infusões de vários pâncreas, a abordagem é limitada.

    Por isso, a farmacêutica norte-americana Vertex desenvolveu um método para cultivar células de ilhotas pancreáticas em laboratório usando células-tronco humanas. Essas ilhotas cultivadas contêm células beta produtoras de insulina que se instalam no fígado, não no pâncreas.

    Para Heimbecher, “o grande marco do estudo é usar células-tronco diferenciadas para se tornarem ilhotas”. Além disso, explica a especialista, elas são colocadas no corpo para se transformarem ”em uma célula eficiente e funcional, que passa a entregar a regulação da insulina”.

    No ensaio clínico atual com 14 pessoas, os médicos injetaram centenas de milhões de células laboratoriais nas veias dos participantes. Elas começaram a funcionar imediatamente, detectando o açúcar sanguíneo e produzindo insulina natural.

    Avanços e desafios para a terapia celular da diabetes tipo 1

    Segundo Andressa, embora essa forma inédita de transplante ainda vá prosseguir para outras fases de estudos — e recrutar mais pacientes — “ela é uma grande esperança no tratamento do diabetes tipo 1 e, quando a gente tem o controle regulado pelo próprio pâncreas, é uma vida ‘com normalidade do controle da insulina’”.

    Durante o estudo da Vertex, os pacientes demonstraram boa tolerância geral à terapia celular inovadora. Contudo, os pesquisadores registraram duas mortes não relacionadas ao tratamento e diversos efeitos adversos. Uma foi por complicações cirúrgicas e a outra resultou de lesão cerebral preexistente.

    Esses efeitos colaterais observados no estudo, como diarreia, cefaleia, náuseas e infecções por COVID-19 são resultado principalmente dos medicamentos imunossupressores. Como qualquer transplantado, os pacientes têm que enfraquecer seu sistema imune para que ele não rejeite suas ilhotas “alienígenas”.

    O problema é que a imunossupressão apresenta riscos significativos, afirma a dra. Andressa. Dessa forma, o protocolo de infusão de células se torna “uma grande receita de bolo”, diz a especialista. “Como fazer para que essa célula funcione bem nesse pâncreas com um mínimo de efeitos adversos?”, diz.

    De olho nessa receita, a Vertex ampliou o estudo para incluir 50 pacientes totais, sendo que quase todos receberam sua dose terapêutica. Os pesquisadores aguardam dados completos desses participantes e planejam solicitar aprovação regulatória para a terapia em 2026.


    Fonte e Foto: CNN Brasil

    #destaque #diabéticos #Terapia celular
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