Em meio a ameaças de tarifas extras norte-americanas, Nova Deli busca negociar pacto bilateral com Washington, mantendo postura neutra em relação ao bloco BRICS.
Em meio à escalada de tensão entre os EUA e o grupo BRICS, a Índia está adotando uma postura estratégica que prioriza os interesses comerciais com Washington. Na esteira das recentes ameaças de tarifas adicionais de até 10% — que poderiam atingir as exportações de membros do BRICS, incluindo a Índia —, o governo indiano optou por não criticar publicamente o bloco, em contraste com países como Brasil e África do Sul .
Fontes diplomáticas em Nova Deli afirmam que, diferentemente de outras nações do BRICS, a Índia não busca minar o dólar — foco central das críticas americanas — e mantém alinhamento apenas em propostas limitadas, como o uso de moedas locais em transações, sem apoio a uma moeda própria do BRICS .
Enquanto isso, negociações avançam para um acordo comercial bilateral com os EUA, que poderiam isentar a Índia das tarifas extras, previstas para entrarem em vigor até 1º de agosto . A expectativa em Nova Deli é que esse pacto parcial seja fechado já no outono (hemisfério norte), garantindo estabilidade para setores-chave da economia indiana.
Analistas consideram que Trump utiliza as ameaças de tarifas como ferramenta de pressão política e diplomática — mas veem bom clima para acordo com a Índia, justamente porque o país evita posições confrontadoras com os EUA .
Em paralelo, o Brasil, que sediou a 17ª cúpula dos BRICS no Rio, buscou reforçar o compromisso com reformas do sistema financeiro global e o uso de moedas locais entre os países-membros . Porém, sua posição mais crítica em relação ao protecionismo americano, e pedidos de justiça comercial, expõem uma divisão interna dentro do bloco.
Assim, numa dança diplomática delicada, a Índia parece escolher um caminho independente: reforçando sua importância estratégica para os EUA, mantendo margens no BRICS, e tentando garantir acesso privilegiado ao mercado norte-americano.

