Uma mãe decidiu quebrar o silêncio e denunciar o próprio filho por agressão contra a esposa, que está grávida de nove meses. Em um relato carregado de dor, revolta e senso de justiça, ela contou que acabou de receber a notícia do advogado: na audiência de custódia, o filho permaneceu preso.
“Acabei de receber a ligação do advogado do meu filho, dizendo que na audiência de custódia ele subiu. Sabe qual é o desejo popular? Nenhuma”, afirma. Para ela, o mais difícil não é a prisão, mas o julgamento da própria família: “Estão achando que eu sou a errada, que eu sou a culpada, porque foi eu que denunciei.”
Segundo a mãe, o filho jamais foi criado em ambiente de violência. “Meu filho nunca foi criado vendo agressividade, vendo droga, vendo nada errado. A gente foi uma família normal. Eu, ele e os irmãos. Ele não foi criado desse jeito.”
Ela conta que a violência surgiu quando ele cresceu e entrou em um relacionamento. “Meu filho achou de crescer e arrumar uma mulher pra viver batendo nela. E vivia batendo. Sempre que eu tava ali, eu denunciava.”
A vítima possuía medida protetiva, mas repetidamente voltava para o agressor. Desta vez, porém, a situação foi ainda mais grave: com nove meses de gestação, ela teria sido espancada novamente. “Ela passou três dias mal. Quase perde meu neto, mas não perdeu.”
Diante da gravidade do caso, a mãe decidiu agir. “Eu denunciei. Ela não queria, mas eu denunciei. Se eu não fizesse isso, talvez meu neto nem estivesse mais vivo.”
A notícia da prisão trouxe alívio e sofrimento ao mesmo tempo. Ela afirma que não pretende visitar o filho na cadeia. “Ele que responda pelo que fez. Eu dei amor, dei educação, dei tudo. Ele nunca levou uma cabada de vassoura, nunca viu violência. Se tivesse visto limite, talvez hoje fosse diferente.”
Mesmo com o peso emocional, a mãe mantém firme sua posição:
“Eu denunciei. E se precisar, denuncio de novo.”
O caso expõe a dureza enfrentada por quem decide romper ciclos de violência dentro da própria família — e a importância de proteger mulheres e crianças, mesmo quando isso significa enfrentar julgamentos, culpas e rupturas profundas.

