Um vídeo que reúne alguns dos maiores nomes da TV e da música brasileira explodiu nas redes sociais na última quarta-feira (10), levantando uma bandeira direta: “Glauber fica”. A mobilização pública — que ganhou força em poucas horas — é uma reação à decisão da Câmara dos Deputados de suspender o mandato de Glauber Braga (Psol-RJ) por seis meses, gesto que artistas e apoiadores classificam como “desproporcional e claramente político”.
Participam do manifesto atores consagrados como Cláudia Abreu, Eduardo Moscovis, Marco Nanini, Paulo Betti, Silvia Buarque, Antônio Grassi e Inez Viana, além dos músicos Leoni, Teresa Cristina e outros nomes de peso no cenário cultural. No vídeo, todos reforçam que o parlamentar está sofrendo uma retaliação que ultrapassa o debate jurídico e invade o terreno da disputa ideológica.
A mobilização ocorre um dia após um episódio tenso no plenário da Câmara. Durante um protesto contra o avanço do processo disciplinar que pedia sua cassação, Glauber sentou-se na cadeira do presidente da sessão, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). A cena, rapidamente registrada por celulares de parlamentares, terminou com a retirada forçada do deputado por agentes de segurança.
Para apoiadores, o ato de Glauber foi simbólico. Para críticos, uma afronta ao decoro.
Mas a reação da Casa — a suspensão do mandato — provocou enorme debate: por que o rigor aparece em alguns casos e desaparece completamente em outros?
O deputado, acusado de quebra de decoro por ter agredido o youtuber Gabriel Costenaro, do MBL, em abril de 2024, reafirmou que seguirá lutando contra o que chama de “dois pesos e duas medidas”.
“Não vou recuar. O tratamento dado ao meu caso não é o mesmo aplicado a parlamentares envolvidos em situações muito mais graves”, declarou.
Enquanto isso, os artistas que participam do vídeo acusam a Câmara de “abuso”, “exagero” e até mesmo de perseguição política. A campanha se espalhou com velocidade, impulsionando uma onda de hashtags que questionam a decisão do Legislativo e levantam a discussão sobre seletividade nas punições internas da Casa.
A pressão deve aumentar. E, com a classe artística agora no centro do debate, o caso de Glauber Braga deixa de ser apenas um processo interno da Câmara e se transforma em um embate nacional — com direito a holofotes, críticas fervorosas e milhares de vozes pedindo explicações.

