O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve um diálogo telefônico com Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela, na manhã de sábado. A conversa ocorreu em um contexto de instabilidade política no país vizinho, após uma alegada invasão militar estadunidense em Caracas. Segundo o Palácio do Planalto, o foco da chamada foi a conjuntura política atual, embora detalhes adicionais não tenham sido divulgados.
A situação de liderança na Venezuela foi marcada pelo reconhecimento de Delcy Rodríguez como presidente interina pelas Forças Armadas do país, a partir de sexta-feira. Esse movimento seguiu-se à suposta captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cília Flores, durante o incidente em Caracas.
Em meio a essas tensões, a presidente interina da Venezuela manifestou o desejo de uma agenda de colaboração com os Estados Unidos, buscando um relacionamento pautado pela igualdade e respeito mútuo, em contraposição a qualquer forma de ingerência. A posição de Rodríguez foi comunicada em uma carta pública ao presidente estadunidense.
Por outro lado, sinais vindos dos EUA indicam a intenção de que seus interesses sejam atendidos pelo novo comando venezuelano, com particular atenção às vastas reservas de petróleo do país, as maiores do mundo, que o presidente dos EUA demonstra interesse em controlar.
Nicolás Maduro e Cília Flores, supostamente detidos e levados para Nova York após os eventos em Caracas, teriam passado por uma audiência de custódia em um tribunal federal. O casal está, segundo relatos, detido em uma penitenciária federal no Brooklyn. São apontados como acusados de liderar um governo alegadamente corrupto e sem legitimidade, além de envolvimento em narcoterrorismo e conspiração para importação de cocaína, posse de armas e explosivos. As acusações, no entanto, não foram acompanhadas de apresentação de provas concretas.

