Delcy Eloína Rodríguez Gómez, 56 anos, assume interinamente a presidência da Venezuela, uma figura proeminente e de confiança do governo chavista. Com formação em direito pela Universidade Central da Venezuela (UCV) e especializações em Direito Social pela Universidade de Paris e Mestrado em Política Social pela Universidade de Birkbeck, em Londres, Rodríguez possui um currículo acadêmico e político robusto.
Nascida em Caracas, Delcy Rodríguez foi vice-presidente desde 2018, cargo que na Venezuela é de livre escolha do presidente, diferentemente de outros sistemas. Além da vice-presidência, ela acumulou as pastas de ministra da Economia e a presidência da PDVSA, a estatal petrolífera venezuelana, assumindo esta última em 2024 após a prisão de diretores por acusações de corrupção.
A nova líder interina é irmã de Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional e ex-vice-presidente, figura influente no chavismo desde a ascensão de Hugo Chávez em 1999. Ambos cresceram em uma família com forte tradição revolucionária socialista, sendo o pai, Jorge Antonio Rodríguez, um militante marxista que foi torturado e assassinado em 1976.
A professora Carla Ferreira, da UFRJ, descreve Delcy Rodríguez como um quadro político e teórico de alto nível, integrante do núcleo duro do chavismo e uma das figuras mais qualificadas do cenário venezuelano atual. Segundo Ferreira, Delcy e seu irmão vivenciaram e lideraram o enfrentamento de inúmeros desafios e embates na Venezuela nas últimas décadas.
A trajetória de Rodríguez inclui diversos cargos desde o início do governo Chávez, como chefe de gabinete em 2006. Ela retornou ao protagonismo em 2013 como ministra da Comunicação e Informação, e entre 2014 e 2017, atuou como ministra das Relações Exteriores, liderando a retirada da Venezuela da Organização dos Estados Americanos (OEA). Em 2017 e 2018, presidiu a Assembleia Nacional Constitucional (ANC), instituição criada em meio a um impasse político que intensificou o isolamento internacional e o embargo financeiro e comercial ao país.
Após assumir a presidência interina, Delcy Rodríguez enfrentou ameaças do então presidente dos EUA, Donald Trump, que exigia acesso aos recursos naturais venezuelanos. Rodríguez, por sua vez, declarou que a Venezuela não se tornará colônia. Especialistas como Carla Ferreira avaliam que o discurso de cooperação com os EUA, quando ocorre, é uma estratégia diante da superioridade militar americana, e que a abertura a empresas estrangeiras é uma concessão necessária, mas que o governo Trump busca controle total sobre a PDVSA.

