Após ser descartada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como potencial líder para assumir o poder na Venezuela, a proeminente figura da oposição, María Corina Machado, dirigiu críticas contundentes à presidente interina Delcy Rodríguez. Machado expressou sua intenção de retornar à Venezuela o mais breve possível, em meio a declarações recentes sobre a situação política do país e o sequestro do presidente Nicolás Maduro no último sábado (3).
Em contraste, setores mais moderados da oposição venezuelana continuam a priorizar o diálogo com o governo de Delcy Rodríguez, buscando avanços políticos como a libertação de indivíduos considerados presos políticos.
María Corina Machado, vista como uma líder do espectro mais radical da oposição, acusou Delcy Rodríguez de ser uma das “principais arquitetas” da repressão estatal. Em entrevista exclusiva à Fox News, veículo alinhado a Trump, Machado declarou: “Ela é uma das principais aliadas e intermediárias da Rússia, China e Irã. Certamente, não é uma pessoa em quem investidores internacionais possam confiar”.
Machado também estendeu seus agradecimentos ao presidente Trump, afirmando que o dia 3 de janeiro será lembrado na história como “o dia em que a Justiça derrotou a tirania” e que os venezuelanos estão agora “mais próximos da liberdade”.
Apesar de estar impedida de concorrer às eleições presidenciais de 2024 devido a uma condenação por corrupção quando era deputada, María Corina Machado indicou o diplomata Edmundo González como seu substituto. Dados oficiais da Justiça Eleitoral indicaram a derrota de González para Maduro, mas a falta de divulgação de detalhes por urna levou observadores internacionais e diversos países a não reconhecerem o pleito. A oposição, por sua vez, sustenta a vitória de González.
Durante a entrevista, Machado reiterou a possibilidade de assumir a liderança na Venezuela com a saída de Maduro e mencionou a realização de novas eleições. “Transformaremos a Venezuela no centro energético das Américas. Traremos o Estado de Direito. Abriremos os mercados. Daremos segurança ao investimento estrangeiro. E traremos de volta para casa milhões de venezuelanos que foram forçados a fugir do nosso país”, prometeu a opositora.
Em outubro deste ano, María Corina Machado foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz por sua atuação contra os governos chavistas. Ela deixou o país em dezembro para receber a honraria na Europa.
Edmundo González, também no exterior, reiterou sua posição como presidente legítimo da Venezuela, considerando o sequestro de Maduro um passo importante, porém insuficiente para a transição política. Ele apelou às Forças Armadas e de segurança para que cumpram o “mandato soberano expresso em 28 de julho de 2024”, embora os militares venezuelanos não o reconheçam como presidente.
Rodolfo Magallanes, professor da Universidade Central da Venezuela, explicou que a oposição venezuelana permanece dividida entre o setor radical de Machado e um grupo mais moderado que atua dentro do quadro legal chavista. Magallanes observou a ausência de diálogo entre os dois segmentos, com o grupo moderado expressando interesse em dialogar com o governo interino de Delcy Rodríguez.
“Há duas visões de se fazer oposição. Uma muito violenta e extrema, que defendeu ações totalmente ilegais, arbitrárias e contrárias à soberania venezuelana e há outra oposição que, mesmo antes do cenário da intervenção estrangeira dos EUA, assumiu a defesa nacional mesmo com este governo”, afirmou Magallanes.
O deputado Stalin González, do Partido Um Novo Tempo, criticou os embates políticos infrutíferos e defendeu o diálogo para a libertação de presos. “A Assembleia Nacional deve ser o espaço para o debate democrático e para as soluções de que a Venezuela precisa urgentemente. Estamos aqui para isso: colocar a política a serviço do povo, construir pontes e pavimentar o caminho da lei, da justiça e da reconciliação nacional. A Venezuela não precisa de mais confrontos estéreis que apenas aprofundam a ferida que dilacera a alma de cada venezuelano”, declarou.
Partidos alinhados a Machado não participaram da eleição Legislativa de maio de 2025, citando a falta de condições após as denúncias sobre o pleito presidencial de 2024. O ex-candidato presidencial e ex-governador de Miranda, Henrique Capriles, discordou da abstenção de Machado e foi eleito deputado federal.
Após o sequestro de Maduro, Capriles defendeu uma transição ordenada, a libertação de presos políticos e a necessidade de “evitar erros que nos custaram anos adicionais de retrocesso”. “O caos nunca foi aliado da mudança, nem pode continuar sendo uma desculpa para perpetuar erros que só agravam o sofrimento das pessoas. Precisamos virar a página da vingança e da improvisação. Devemos guiar o país rumo a uma solução democrática com garantias reais para todos”, disse.
Em declarações a jornalistas, Donald Trump descartou a possibilidade de María Corina Machado assumir o poder na Venezuela, afirmando que ela não possui apoio interno suficiente. O presidente americano indicou que buscará diálogo com a presidente interina Delcy Rodríguez. “Acho que seria muito difícil para ela ser a líder. Ela não tem apoio interno nem respeito dentro do país. É uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito necessário para ser líder”, declarou Trump.

