Em um desenvolvimento diplomático notável, os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e dos Estados Unidos, Donald Trump, engajaram-se em uma conversa telefônica na noite desta quarta-feira (8). Este contato marca a primeira interação entre os líderes após uma série de declarações contundentes e acusações proferidas pelo mandatário americano contra seu colega colombiano.
Petro utilizou suas plataformas de mídia social para compartilhar um registro visual do diálogo e para delinear os principais temas abordados. “Entre outras coisas, falamos de nossas visões divergentes sobre a relação dos EUA com a América Latina”, pontuou o presidente colombiano. Ele destacou a oportunidade de apresentar a Trump o vasto potencial da América Latina na produção de energia limpa, argumentando que tal desenvolvimento poderia suprir as necessidades energéticas dos EUA.
“Explorar a América Latina em busca de petróleo só levaria à destruição do direito internacional e, portanto, à barbárie e a uma terceira guerra mundial”, alertou Petro, contrapondo a visão de exploração de combustíveis fósseis com a proposta de transição energética. Segundo ele, a concretização do potencial de energia limpa regional demandaria um investimento de US$ 500 bilhões, capital atualmente detido pelos Estados Unidos. “Essa é a minha proposta. Fundamentada na paz, na vida e na democracia global”, ressaltou.
O presidente colombiano relatou que, após a chamada, participou de um ato público previamente convocado para reforçar a posição da Colômbia diante das recentes ameaças americanas. Em seu discurso, Petro mencionou a conversa com Trump e leu declarações do presidente americano. Trump, por sua vez, descreveu a ligação como uma “grande honra” e indicou que o diálogo visava discutir a questão das drogas e outros pontos de discórdia bilateral.
Petro expressou gratidão pela oportunidade e manifestou a expectativa de um futuro encontro presencial, informando que negociações para tal evento já estão em andamento. As tensões escalaram anteriormente quando, após uma operação militar na Venezuela, Trump proferiu ameaças direcionadas a Petro e à Colômbia, insinuando que o país estava sendo “governado por um homem doente, que produz cocaína para vender aos Estados Unidos”. Em declarações à imprensa americana, Trump chegou a considerar uma invasão à Colômbia como uma “boa ideia”.
Em resposta a essas declarações, Petro criticou Trump, chamando seu “cérebro de senil” e acusando-o de rotular “verdadeiros libertários como narcoterroristas por não entregar a ele carvão ou petróleo”. A conversa telefônica, portanto, representa um esforço para gerenciar e potencialmente mitigar essas acirradas divergências geopolíticas e retóricas.

