O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, expressou nesta sexta-feira (9) receios de que pudesse ser capturado pelos Estados Unidos, em um cenário que ele comparou à recente detenção do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Petro indicou que uma conversa telefônica com o então presidente americano Donald Trump, realizada na quarta-feira (7), pode ter ajudado a dissipar a tensão bilateral.
Em entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, Petro confirmou ter temido um destino semelhante ao de Maduro. “Sem dúvidas”, respondeu ao ser questionado sobre o assunto. Ele argumentou que “Nicolás Maduro ou qualquer presidente do mundo pode ser tirado [de seu governo] se não se alinhar com certos interesses”, sugerindo que líderes que divergem de potências globais estariam mais vulneráveis.
O líder colombiano revelou que, durante a chamada com Trump, este teria admitido estar considerando “fazer coisas ruins” na Colômbia. “A mensagem [de Trump] era que eles já estavam preparando algo, planejando uma operação militar”, declarou Petro, que acredita que as ameaças foram “congeladas” após o diálogo, embora admita a possibilidade de estar enganado.
Apesar do temor expresso, Petro afirmou que não houve reforço em sua segurança pessoal, explicando que a Colômbia não possui defesa aérea avançada, pois seu foco histórico tem sido em combates internos. Ele salientou que a “defesa popular” é o principal escudo do país e o motivo pelo qual convocou a resistência popular na quarta-feira.
Em relação à situação na Venezuela, Petro comentou ter conversado com a vice-presidente Delcy Rodríguez, a quem descreveu como amiga e que assumiu interinamente após a prisão de Maduro. Ele avaliou que Rodríguez enfrenta pressão interna e externa e que a prioridade deveria ser a união do povo venezuelano para evitar a “colonização” e buscar “uma solução política”.
Petro delineou que sua visão para a Venezuela, embora não radicalmente diferente da dos EUA em termos de desejo por eleições livres e governo compartilhado, não deve ser imposta externamente. “A ideia de uma transição para eleições livres e um governo compartilhado já foi levantada por outros, como Rubio [Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos], e está alinhada com a minha proposta. Mas não pode ser imposta de fora, deve surgir do diálogo venezuelano. O papel dos Estados Unidos deve ser o de facilitar esse diálogo, juntamente com a América Latina”, concluiu.

