O governo brasileiro busca agilizar a aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, assinado no último sábado. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhará a proposta para análise da Câmara dos Deputados nos próximos dias.
Apesar de um recente revés no Parlamento Europeu, que solicitou um parecer jurídico do Tribunal de Justiça da UE sobre a legalidade do acordo, o Brasil mantém o otimismo. A decisão europeia, aprovada com 334 votos favoráveis, 324 contrários e 11 abstenções, suspende temporariamente a implementação do tratado, que necessita da ratificação dos parlamentos dos 32 países envolvidos. O processo de parecer do tribunal pode levar cerca de dois anos.
Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil continuará o trâmite interno, enviando a proposta ao Congresso Nacional. Ele destacou que lideranças políticas europeias, como o chanceler alemão Friedrich Merz, defendem a aprovação e implementação gradual e provisória do acordo enquanto a questão judicial é resolvida. “Quanto mais rápido agirmos, melhor, pois entendo que isto ajudará para que haja uma vigência transitória enquanto há a discussão na área judicial”, declarou Alckmin, enfatizando o objetivo de evitar atrasos.
Jorge Viana, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), reconheceu a apreensão gerada pela decisão europeia após 26 anos de negociações, mas reiterou o otimismo brasileiro. Viana atribuiu a resistência na Europa a um forte lobby contra produtos brasileiros e anunciou que a ApexBrasil lançará uma campanha para promover a imagem do Brasil na UE, buscando convencer a opinião pública e os parlamentares europeus sobre os benefícios do acordo.
“O que há, de fato, é uma disputa de narrativa. E, por isto, vamos trabalhar a imagem do Brasil […] Disputar a opinião pública e o parlamento na Europa”, explicou Viana, que também assegurou o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que a análise do acordo seja uma prioridade.
Segundo estimativas da ApexBrasil, a entrada em vigor do acordo Mercosul-UE poderá impulsionar as exportações brasileiras em aproximadamente US$ 7 bilhões. Setores como máquinas e equipamentos de transporte, motores, autopeças e aeronaves se beneficiarão com a redução imediata de tarifas, assim como produtos como couro, pedras, lâminas e itens da indústria química.

