Uma iniciativa promissora para o futuro ambiental do Brasil acaba de ganhar força na Câmara dos Deputados. A Comissão de Desenvolvimento Urbano aprovou a criação de inventários nacionais focados em reunir e disseminar práticas sustentáveis de manejo de resíduos sólidos. O objetivo é consolidar um banco de dados com soluções inovadoras e modelos de excelência em gestão, que servirão como um novo e importante instrumento para a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
A proposta, que agora avança em sua tramitação, é resultado de um substitutivo apresentado pela relatora, deputada Lêda Borges (PSDB-GO), ao projeto original. Enquanto a versão inicial visava estabelecer um programa de troca de recicláveis por alimentos, a deputada optou por uma abordagem mais abrangente e estrutural, visando fortalecer a legislação existente e apoiar uma gama maior de iniciativas voltadas à sustentabilidade.
A relatora justificou a mudança apontando potenciais inconstitucionalidades na proposta original, que poderiam invadir competências municipais ao propor a execução direta de um programa de coleta seletiva pelo governo federal. Borges enfatizou que a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece ao governo federal o papel de definir diretrizes e oferecer suporte técnico e financeiro, sem a execução direta das ações. Ela destacou os desafios práticos, os riscos de ineficiência e os altos custos que tal modelo implicaria, especialmente considerando as diversidades regionais do país.
Com os novos inventários, a expectativa é que tecnologias e métodos de gestão de resíduos que já se mostram eficazes em diversas localidades possam ser mais facilmente compartilhados. Essa troca de conhecimento tem o potencial de impulsionar a modernização do setor, promover a economia circular e fortalecer a proteção ambiental em todo o território nacional.
O projeto ainda passará por análises conclusivas nas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Após a aprovação na Câmara, o texto seguirá para o Senado, e, se aprovado por ambas as casas, poderá se tornar lei, marcando um avanço significativo na gestão ambiental brasileira.

