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    Início » Lei pode dispensar exame de corpo de delito em casos de violência doméstica
    Política

    Lei pode dispensar exame de corpo de delito em casos de violência doméstica

    RedaçãoPor Redação5 de fevereiro de 2026
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    Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados propõe a dispensa do exame de corpo de delito em crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher, desde que existam outras provas suficientes da lesão corporal. A iniciativa, que visa alterar a Lei Maria da Penha, busca evitar a revitimização de mulheres que já enfrentam dificuldades para denunciar agressões.

    A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), autora da proposta, explica que a dispensa do exame já é uma prática em algumas situações, pois a revitimização pode ser mais prejudicial do que a ausência da prova pericial. Ela ressalta que a demora na denúncia, comum em casos de violência doméstica, muitas vezes impede a realização do exame. A parlamentar lembra que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já tem jurisprudência que permite a dispensa do exame em circunstâncias específicas, quando há outras evidências robustas da materialidade do crime.

    O projeto também aborda a substituição de penas em casos de violência doméstica, proibindo a aplicação de cestas básicas e outras penas pecuniárias. O objetivo é reforçar a vedação da substituição de penas privativas de liberdade por restritivas de direitos. Amaral aponta que, embora a legislação atual já proíba multas isoladas ou cestas básicas como substituição, e o STJ possua uma súmula nesse sentido (Súmula 588), ainda há resistência de alguns magistrados em aplicar esse entendimento na prática, mantendo a substituição de penas.

    Outro ponto da proposta é a garantia de que medidas protetivas de urgência permaneçam em vigor enquanto houver risco à integridade da vítima ou de seus dependentes, independentemente do andamento do processo judicial contra o agressor. Segundo a deputada, o risco à vítima pode persistir mesmo após o fim do processo, seja por prescrição do crime ou absolvição do agressor, e a alteração visa assegurar que a mulher não fique desprotegida.

    O projeto de lei será analisado pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, precisará ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

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