A Copa do Mundo de 2026 marca um momento histórico para o futebol africano, com um número recorde de dez seleções do continente competindo pelo cobiçado troféu. Esta edição, sediada conjuntamente por Canadá, México e Estados Unidos, expandiu seu formato para 48 equipes, permitindo maior representatividade global e abrindo portas para nações com menos tradição em mundiais.
Entre os destaques, Marrocos, semifinalista na Copa do Catar e atual campeã da Copa Africana de Nações, se apresenta como um adversário formidável. Os Leões do Atlas, como são conhecidos, surpreenderam o mundo em 2022 ao alcançar a quarta colocação, superando expectativas e conquistando fãs globais. A seleção marroquina, que enfrentará o Brasil em sua estreia, conta com talentos como o lateral Achraf Hakimi, peça chave para a estratégia da equipe.
Além de Marrocos, outras nove nações africanas buscam deixar sua marca. Senegal, com a estrela Sadio Mané, chega com a experiência de participações anteriores e a memória do sucesso em 2002. O Egito, com jogadores como Mohamed Salah e Mahmoud Trezeguet, retorna ao torneio com a ambição de avançar na competição. Gana, conhecida como Estrelas Negras, almeja repetir ou superar a campanha de 2010, quando chegou às quartas de final.
A Argélia, a Raposa do Deserto, que protagonizou uma partida memorável contra a Alemanha em 2014, também está presente. Novas caras como Cabo Verde, com sua seleção formada pela diáspora, e a República Democrática do Congo, que retorna após mais de 50 anos, adicionam um tempero especial ao torneio.
A crescente presença de jogadores africanos em grandes ligas europeias e a formação de equipes com talentos da diáspora — descendentes africanos que jogam por suas seleções de origem — demonstram a evolução técnica e tática do futebol no continente. Segundo a historiadora e comentarista esportiva Rachel Motta, essa diversidade é um dos grandes trunfos desta edição.
No entanto, desafios persistem. A logística e possíveis barreiras burocráticas, como a recente negação de entrada de um árbitro somali nos Estados Unidos, levantam questões sobre a igualdade de condições para todos os participantes. A expansão do torneio, contudo, é vista como um passo importante para a valorização e o desenvolvimento do futebol africano em escala global.

