O governo brasileiro manifestou forte repúdio à decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor prevista para 22 de agosto. A medida, anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) com base em investigações internas, foi classificada pelo Brasil como carente de justificativa e sem amparo nas regras multilaterais de comércio.
Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República afirmou que o Brasil não reconhece a legitimidade das investigações americanas e considera arbitrárias as imposições unilaterais. O governo brasileiro sinalizou que acionará imediatamente a Lei de Reciprocidade e buscará a solução de controvérsias na Organização Mundial do Comércio (OMC).
As alegações do USTR, que investigou práticas brasileiras em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal, foram rebatidas pelo Brasil. O governo defendeu o Pix como um patrimônio nacional e uma referência em infraestrutura digital, negando que haja base para as acusações relacionadas a ele e à regulação de plataformas digitais.
O desmatamento ilegal também foi alvo de contestação, com o governo brasileiro afirmando ter combatido incisivamente os ilícitos ambientais e reduzido drasticamente o desmatamento desde 2023. A nota presidencial destacou que a maioria das 78 intervenções em audiências públicas promovidas pelo USTR, incluindo representantes do setor privado de ambos os países, foi contrária às tarifas.
Dados apresentados pelo governo brasileiro indicam que os EUA registraram um superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Em 2025, 76% das importações americanas entraram no Brasil sem imposto de importação, com uma alíquota média efetiva de apenas 3,1% sobre produtos dos EUA. O Brasil reafirmou seu compromisso em adotar medidas para mitigar os impactos econômicos e buscar a diversificação de parceiros comerciais, visando proteger setores afetados e preservar empregos e a capacidade produtiva nacional através do Plano Brasil Soberano.

