A recente intensificação dos conflitos no Oriente Médio, marcada por ataques contra infraestruturas civis e bases militares, levanta sérias dúvidas sobre a eficácia do acordo previamente estabelecido entre o Irã e os Estados Unidos. Desde o final de fevereiro, a região tem testemunhado um aumento alarmante na violência, resultando na perda de milhares de vidas e na destruição de bens essenciais.
Bombardeios atingiram alvos estratégicos no Irã, incluindo pontes, um hospital, usinas de dessalinização de água, instalações de produção de combustível e até mesmo um canteiro de obras de uma usina nuclear. Em resposta, o Irã intensificou suas operações contra posições em países aliados dos EUA no Golfo, como Jordânia, Bahrein e Kuwait, visando tanto bases militares quanto infraestruturas civis de geração de energia e dessalinização.
Especialistas em segurança e geopolítica apontam que o memorando de entendimento entre as duas nações, inicialmente visto como um passo para a pacificação, pode ter sido uma manobra diversionista. A análise sugere que a pressão sobre as reservas de petróleo, exacerbada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, pode ter influenciado a decisão americana de buscar um acordo, sem uma real intenção de cumpri-lo a longo prazo, segundo Agostinho Costa, major-general português e especialista em segurança.
A disputa pelo controle da rota marítima no Estreito de Ormuz, vital para o comércio global de petróleo, é vista como um ponto central na estratégia americana de manter sua hegemonia na região. A Jordânia, por sua vez, emergiu como um hub logístico crucial para a Força Aérea dos EUA, especialmente após as fragilidades expostas nas bases do Golfo.
Analistas apontam que os objetivos iniciais declarados pelos EUA, como o fim do programa nuclear iraniano e o fim do apoio a milícias regionais, não foram alcançados. A escalada para uma estratégia de “terra arrasada”, com ataques a infraestruturas essenciais como usinas de dessalinização, pode paradoxalmente fortalecer o regime iraniano, segundo o cientista político Ali Ramos.
A falta de uma estratégia clara por parte dos EUA, que repetem táticas de bombardeio aéreo sem resultados expressivos desde fevereiro, contrasta com a aparente resiliência das capacidades ofensivas iranianas. A situação atual é caracterizada como uma “gestão da escalada do conflito”, com potencial para novas elevações.
A agressão contra o Irã, iniciada em junho de 2025 e intensificada a partir de fevereiro deste ano, tinha como um de seus objetivos a “troca de regime” no país persa, visando deter a expansão econômica chinesa e consolidar a hegemonia israelense. Com o fracasso nesse plano, os EUA agora buscam restaurar a livre navegação no Estreito de Ormuz. No entanto, o Irã defende um novo modelo de gestão para o estreito, a ser definido em conjunto com Omã, priorizando a segurança nacional iraniana.

