Uma reunião decisiva entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e representantes dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro resultou na aprovação de novas regras de arbitragem, com o objetivo de aumentar o tempo de bola em jogo nas competições nacionais. A medida entra em vigor imediatamente.
O encontro, realizado no Rio de Janeiro, definiu a adoção de diretrizes alinhadas às leis internacionais do futebol, que já foram vistas em eventos como a última Copa do Mundo. A principal meta é combater as paralisações excessivas que diminuem o tempo efetivo de partida.
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) busca um mínimo de 60 minutos de bola rolando por jogo. No Brasileirão Série A, antes da última pausa, o tempo médio era de pouco mais de 52 minutos. Em comparação, ligas europeias como a francesa e a alemã registram cerca de 56 minutos.
Estudos indicam que as novas regras podem adicionar entre 5 e 6 minutos de jogo por partida. A CBF espera que essa mudança torne o futebol brasileiro mais dinâmico e atrativo para os torcedores.
Das dez alterações aprovadas, uma específica sobre a checagem de escanteios concedidos por engano por meio do árbitro de vídeo (VAR) só será implementada a partir de 2027, caso o lance resulte diretamente em gol ou pênalti.
Netto Góes, diretor de Arbitragem da CBF, destacou a importância da colaboração entre a entidade, clubes e jogadores. “Nosso trabalho é transformar esse diagnóstico em ações concretas. Isso passa pela aplicação das novas regras, pela padronização dos critérios e pela capacitação dos árbitros, mas também depende da participação dos clubes e dos jogadores. O objetivo é ter um jogo mais fluido, com menos interrupções e mais futebol”, afirmou.
As novas regras incluem limites de tempo para goleiros com a bola nas mãos (8 segundos, resultando em escanteio), arremessos laterais (5 segundos, com posse revertida), tiros de meta (5 segundos, com escanteio para o adversário em caso de atraso do goleiro), e substituições (10 segundos para o jogador sair, com um minuto de espera para o substituto entrar em caso de descumprimento).
Jogadores que precisarem de atendimento médico em campo deverão permanecer fora por, no mínimo, um minuto. Em caso de atendimento ao goleiro, um jogador de linha designado terá que cumprir o tempo de exclusão. A comunicação com o árbitro será restrita ao capitão, com punição de cartão amarelo para quem desrespeitar. Além disso, o protocolo “Vini Jr.” prevê expulsão para quem tentar impedir a leitura labial de forma intencional.
Mudanças significativas também afetam o VAR: a revisão de cartões amarelos que resultam em expulsão será possível, podendo anular a sanção em caso de erro. A checagem de escanteios por engano, como mencionado, terá sua aplicação a partir de 2027.

