A jogadora de vôlei Tifanny, atleta transgênero e destaque da equipe Osasco São Cristóvão Saúde, expressou forte descontentamento com a recente política de elegibilidade imposta pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A nova diretriz restringe a participação de atletas nas competições femininas, exigindo que sejam designadas como sexo biológico feminino ao nascer e, em alguns casos, apresentem resultados negativos para o gene SRY.
Considerando a medida um “enorme retrocesso” e um ataque à sua carreira e aos direitos da comunidade trans, Tifanny reafirmou sua determinação em continuar jogando e lutando por visibilidade e inclusão no esporte. Ela comparou a situação a práticas vexatórias de décadas passadas, quando atletas eram submetidas a testes de gênero invasivos.
A oposta, que atua no vôlei feminino desde 2017 e acumula títulos como o da Superliga em 2025, destacou que a decisão da CBV não afeta apenas a ela, mas também seu clube, patrocinadores, fãs e todas as pessoas trans que buscam seu espaço e reconhecimento. Ela prometeu não se calar e buscar todas as vias legais para garantir seu direito à prática esportiva.
O pronunciamento ocorreu após a estreia do Osasco no Campeonato Paulista, onde Tifanny, apesar de marcar 19 pontos, viu sua equipe ser derrotada pelo Pinheiros. A participação da atleta no jogo foi possível pois a Federação Paulista de Volleyball (FPV) optou por manter o regulamento anterior para o estadual, enquanto analisa as novas diretrizes da CBV.
A CBV justificou a nova política como um alinhamento com as normas do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). A mudança substitui o critério anterior de níveis de testosterona por exigências genéticas e torna a nova regra aplicável a importantes competições nacionais, incluindo a Superliga, a Supercopa, a Copa Brasil e o Circuito Brasileiro de vôlei de praia.

