A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou um conjunto de propostas e recomendações voltadas para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável e inovadora no Brasil. O documento, direcionado a candidatos que disputam cargos legislativos e executivos nas próximas eleições, consolida pesquisas e evidências científicas com o objetivo de orientar políticas públicas para o setor.
A publicação, intitulada ‘Agenda estratégica para agricultura do Brasil: contribuições de pesquisa e inovação’, enfatiza a necessidade de investimentos consistentes em ciência, tecnologia e inovação, além de promover a inclusão socioprodutiva. A Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, destaca a importância estratégica da agricultura para a economia nacional, a segurança alimentar e a adaptação às mudanças climáticas e à transição energética.
O agronegócio brasileiro representa uma parcela significativa da economia, com um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em R$ 3,2 trilhões em 2025, correspondendo a 25% do PIB nacional. Em 2023, o setor empregou 28,4 milhões de pessoas e foi responsável por US$ 169,2 bilhões em exportações, quase metade do total vendido pelo país ao exterior. A Embrapa também ressalta o retorno de seus investimentos, calculando que cada real aplicado na empresa gera R$ 27,12 para a sociedade.
A carta de recomendações aborda seis temas centrais para o futuro do agronegócio: segurança alimentar e nutricional; agricultura sustentável e resiliência climática; bioeconomia e desenvolvimento sustentável; transição energética e bioenergia; desenvolvimento territorial e inclusão rural; e transformação digital. A empresa defende a redução da dependência de insumos importados e posiciona o Brasil como um potencial líder global em produção tropical de baixo carbono.
A publicação alerta para os custos da inação diante das mudanças climáticas, citando projeções do Ipea que apontam perdas de até R$ 17,1 trilhões até 2050. Investir em bioenergia, biocombustíveis e bioinsumos é visto como um caminho para agregar valor à produção, diversificar a matriz energética e fortalecer a competitividade brasileira no mercado global de soluções sustentáveis.
A transformação digital, impulsionada por avanços como inteligência artificial e agricultura de precisão, é apontada como um fator crucial para a modernização do campo, sendo a conectividade rural um elemento essencial. Para o Poder Executivo, a orientação é consolidar uma estratégia de desenvolvimento rural sustentável, enquanto o Legislativo tem o papel de definir as bases institucionais e orçamentárias para garantir a estabilidade e a previsibilidade dos investimentos a longo prazo.

