A prévia da inflação de agosto surpreendeu ao registrar uma deflação de -0,40%, o menor índice desde maio de 2020. Este resultado marca o primeiro recuo nos preços em 12 meses, impulsionado significativamente pela redução na conta de energia elétrica, decorrente do Bônus de Itaipu, e pela queda nos preços de alimentos essenciais.
Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (26), fazem parte do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). A última vez que o país havia registrado uma deflação foi em agosto de 2025, com o índice em -0,14%.
A queda nos preços da energia elétrica residencial, que recuou 6,25%, foi o principal fator a puxar o índice para baixo. O Bônus de Itaipu, concedido aos consumidores, teve um impacto direto de -0,26 ponto percentual no resultado geral.
No setor de alimentação e bebidas, a deflação foi de -0,57%, com destaque para a queda de 0,97% nos preços dos alimentos consumidos em casa. Itens como tomate (-27,38%), batata-inglesa (-25,14%) e cenoura (-17,05%) apresentaram as maiores reduções.
O grupo de transportes também contribuiu para a deflação, com uma queda de 1%, impulsionada pela redução de 13,30% no preço das passagens aéreas e pela queda geral nos combustíveis (-1,43%), incluindo etanol, gasolina e diesel.
O IPCA-15, que coleta preços entre 16 de julho e 14 de agosto, tem metodologia similar à do IPCA (a inflação oficial). A diferença reside no período de coleta e abrangência geográfica. O IPCA cheio de agosto será divulgado em 11 de setembro. As projeções do mercado financeiro, segundo o Boletim Focus do Banco Central, indicavam uma expectativa de inflação de -0,18% para o mês.

