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    Política

    Sindicatos intensificam pressão por votação da PEC 6×1 antes das eleições

    RedaçãoPor Redação6 de setembro de 2026
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    As principais centrais sindicais do Brasil anunciaram uma nova estratégia para pressionar o Senado Federal a votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019, que visa extinguir a escala de trabalho 6×1 e estabelecer a jornada semanal de 40 horas. O movimento, que se intensifica a partir deste fim de semana, busca a aprovação da matéria antes do primeiro turno das eleições de 2026.

    A decisão de antecipar a votação surge após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ter indicado que a PEC seria pautada apenas após o período eleitoral. Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), criticou o adiamento, acusando Alcolumbre de ceder a pressões de empresários e da oposição, com o intuito de permitir que parlamentares “traiam o povo”. “Se os senadores forem cobrados nos estados, eles vão querer resolver essa situação. Eles vão ter que responder isso nas ruas. Vamos colocar o povo para cobrar. Vai pedir voto? Cadê a 6×1 primeiro?”, questionou Nobre, defendendo a mobilização popular como forma de pressionar os senadores.

    A estratégia dos sindicatos, definida em reunião do Fórum das Centrais Sindicais, inclui intensificar panfletagens em centros comerciais, reforçar a mobilização nas redes sociais e organizar novos protestos de rua. As entidades também planejam solicitar uma audiência com o senador Alcolumbre para defender a votação da PEC e denunciar os parlamentares que se opõem à redução da jornada de trabalho. Miguel Torres, presidente da Força Sindical, expressou surpresa negativa com o adiamento, alertando que a demora pode “voltar para a estaca zero” e prejudicar a aprovação da proposta, que, segundo ele, conta com o apoio de mais de 70% da população.

    Inicialmente, havia a expectativa de que a PEC fosse levada a plenário logo após sua aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Paulo de Oliveira, diretor executivo da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), considerou o adiamento “desleal com os trabalhadores”, argumentando que, após as eleições, os senadores podem priorizar outros interesses. Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), destacou que a redução da jornada de 40 horas é uma demanda histórica e que a aprovação na CCJ, com poucas oposições, demonstra o apoio à proposta. As centrais sindicais argumentam que a medida pode melhorar a qualidade de vida e a saúde mental dos trabalhadores, além de ter impactos econômicos absorvíveis pelas empresas, como ocorreu em 1988 com a redução da jornada de 48 para 44 horas.

    Por outro lado, confederações patronais, como a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), manifestaram-se contra a PEC, alegando aumento de custos para as empresas e potenciais prejuízos à economia. A CNC solicitou o adiamento da votação para depois das eleições, defendendo que “mudanças constitucionais nas relações de trabalho exigem análise técnica, diálogo e previsibilidade”, e não devem ser conduzidas sob a “pressão do calendário eleitoral”.

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