Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) expressaram profunda preocupação com a possibilidade de influências externas, especialmente de origem norte-americana, no processo eleitoral brasileiro. As entidades alertam que tal interferência pode comprometer a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre escolha dos eleitores.
Um relatório recente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) já apontava riscos de influência dos Estados Unidos nas eleições, indicando uma tendência de aumento da pressão diplomática e econômica sobre o Brasil. Diante desse cenário, a ABC e a SBPC convocam as instituições da República, a comunidade científica e acadêmica, e a sociedade civil a se mobilizarem pela garantia de eleições livres de ingerências internacionais.
As organizações reforçam que a decisão sobre os governantes brasileiros pertence unicamente ao povo do país. “Nenhum Estado, governo, poder econômico ou ator externo deve buscar condicionar essa decisão”, afirmam, em nota conjunta. A manipulação do ambiente informacional e o uso indevido de tecnologias digitais são apontados como métodos que podem minar a autonomia eleitoral.
A nota destaca a importância da vigilância contra novas formas de interferência em um mundo globalizado, defendendo que qualquer ação dessa natureza seja apurada com base em evidências, transparência e respeito ao Estado Democrático de Direito. A defesa da democracia, segundo as entidades, também passa pela integridade da informação e pela liberdade de pensamento.
Em linha com o posicionamento das sociedades científicas, o Instituto Vladimir Herzog levou às Nações Unidas uma carta alertando para os riscos de interferência dos EUA e solicitando o reconhecimento internacional do resultado eleitoral, independentemente do vencedor. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também abordou o tema em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, defendendo a soberania dos países latino-americanos e caribenhos contra ingerências externas.
ABC e SBPC reiteram princípios fundamentais como a soberania nacional, a autodeterminação, a integridade das eleições e o respeito à Constituição. A defesa da democracia brasileira, concluem, é essencial para garantir o direito do país de decidir seu próprio futuro, livre de interferências externas.

