A recente ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela provocou reações diversas entre os países latino-americanos, evidenciando um cenário de tensões diplomáticas e divergências políticas na região. Enquanto Chile, Colômbia e México condenaram a intervenção, clamando pelo respeito ao direito internacional e à soberania venezuelana, Argentina celebrou a ação, e a Bolívia classificou o governo de Nicolás Maduro como um ‘narcoestado’.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, enfatizou a posição de seu país voltada à paz regional, pedindo moderação e priorização do diálogo diplomático. Em suas redes sociais, Petro reiterou o compromisso da Colômbia com a Carta da ONU, rejeitando ações militares unilaterais que possam agravar a situação ou colocar civis em risco. Medidas preventivas foram implementadas na fronteira para proteger a população e garantir estabilidade.
Do Chile, o presidente Gabriel Boric apelou por uma resolução pacífica da crise venezuelana, destacando a importância do diálogo e do multilateralismo, e condenando a violência e a interferência estrangeira. Ele reafirmou os princípios internacionais de não uso da força e integridade territorial dos Estados.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, também se manifestou contra a ação militar estadunidense, citando o Artigo 2, parágrafo 4 da Carta da ONU, que proíbe a ameaça ou o uso da força nas relações internacionais.
Em contraste, o presidente argentino, Javier Milei, emitiu um comunicado oficial celebrando a ‘captura’ de Nicolás Maduro pelo governo dos EUA, rotulando a Venezuela como ‘inimiga da liberdade’ e traçando paralelos com a Cuba dos anos 1960. A Argentina se alinha a uma visão crítica ao regime venezuelano, ecoando a política de sanções e pressões que os EUA mantêm há décadas contra Cuba.
Por sua vez, a Bolívia, através de seu Ministério de Relações Internacionais, expressou apoio ‘firme e imediato’ ao povo venezuelano na ‘recuperação de sua democracia’. O governo boliviano defendeu a necessidade de uma transição democrática que ‘ponha fim ao narcoestado’ e restabeleça a legitimidade institucional.
O episódio remete a intervenções passadas dos EUA na América Latina, como a invasão do Panamá em 1989. As acusações dos EUA contra Maduro, sem apresentação de provas concretas, geram questionamentos entre especialistas em tráfico internacional de drogas. Críticos apontam a ação como uma manobra geopolítica visando afastar a Venezuela de potências como China e Rússia, além de garantir maior controle sobre as vastas reservas petrolíferas do país.

