A recente operação militar dos Estados Unidos, que culminou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, na madrugada de sábado, desencadeou uma onda de manifestações em várias cidades ao redor do mundo. Venezuelanos que deixaram o país em busca de melhores condições de vida participaram ativamente desses atos, expressando uma gama diversificada de reações.
O governo americano não apenas anunciou a intenção de julgar Maduro e Flores nos Estados Unidos sob acusações de envolvimento com tráfico internacional de drogas, mas também declarou que pretende gerenciar a Venezuela até que uma transição política segura e criteriosa seja estabelecida. Paralelamente, o presidente Donald Trump indicou que empresas americanas assumirão a gestão do setor petrolífero venezuelano, detentor de vastas reservas.
A notícia gerou reações distintas entre a diáspora venezuelana. Em países latino-americanos como Colômbia e Equador, além da Espanha, relatos indicam a realização de atos por parte de venezuelanos que celebravam a ação dos EUA. Em contrapartida, em cidades como a Cidade do México e Buenos Aires, grupos organizaram manifestações tanto a favor quanto contra a intervenção, evidenciando a profunda divisão de opiniões. A tensão entre os manifestantes em frente às embaixadas dos EUA e da Venezuela na Cidade do México exigiu a intervenção policial.
A Argentina também testemunhou protestos divergentes, com movimentos sociais e venezuelanos contrários à operação manifestando-se em frente à embaixada americana, enquanto outro grupo se reuniu para comemorar a captura de Maduro. Nos Estados Unidos, especificamente em São Francisco e Nova York, também foram registrados tanto protestos contra quanto celebrações da intervenção.
A crise migratória venezuelana, que levou cerca de 20% da população a deixar o país desde 2014, com destinos principais como Colômbia e Peru, contribui para a complexidade das reações. Migrantes como Andrés Losada, residente na Espanha, expressam um misto de preocupação e esperança, vislumbrando uma “luz que nos levará à liberdade”. Maria Fernanda Monsilva, no Equador, manifestou o desejo de retorno e apoio à oposição, personificada por Edmundo González.
Em contraste, dentro da Venezuela, em Caracas, manifestações repudiaram a intervenção estrangeira. José Hernandez, participante de um protesto na capital, classificou a operação como criminosa e acusou os EUA de “roubar recursos” de outros países. Enquanto isso, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela declarou que a vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, assumirá a presidência interina do país, em desdobramento direto da captura de Maduro.

