Em uma publicação de grande repercussão no jornal The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou fortes críticas às ações dos Estados Unidos em relação à Venezuela, classificando os recentes bombardeios e a detenção do presidente venezuelano como um “capítulo lamentável” na erosão do direito internacional e da ordem multilateral pós-Segunda Guerra Mundial.
Lula destacou a crescente tendência de potências globais em desrespeitar a autoridade de instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) e seu Conselho de Segurança. Segundo o líder brasileiro, a prevalência do uso da força para solucionar disputas representa uma ameaça à paz, segurança e estabilidade globais, minando o sistema internacional como um todo.
O presidente enfatizou que, embora líderes possam ser responsabilizados por atitudes antidemocráticas, nenhum país tem o direito de se autoproclamar juiz. Ele alertou que ações unilaterais desestabilizam o comércio e os investimentos, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem a capacidade dos Estados de combater o crime organizado e outros desafios transnacionais.
O artigo ressaltou a preocupação particular do Brasil com a aplicação dessas práticas na América Latina e no Caribe, regiões que buscam a paz através da igualdade soberana, rejeição à força e autodeterminação. Lula sublinhou que este é o primeiro ataque militar direto dos Estados Unidos à América do Sul em mais de 200 anos de independência.
Defendendo os interesses de mais de 660 milhões de habitantes na região, Lula afirmou que a América Latina e o Caribe têm o direito de defender seus próprios sonhos em um mundo multipolar, rejeitando subserviência a empreendimentos hegemônicos e propondo uma doutrina de prosperidade, paz e pluralidade regional.
O presidente propôs a construção de uma agenda regional positiva, focada em investimentos em infraestrutura, geração de empregos de qualidade, aumento do comércio e cooperação para combater a fome, a pobreza, o tráfico de drogas e as mudanças climáticas. Quanto à Venezuela, Lula reiterou que o futuro do país deve ser decidido por seu povo, através de um processo político inclusivo.
Lula concluiu abordando a relação com os Estados Unidos, descrevendo-os como as duas democracias mais populosas do continente. Ele defendeu a união de esforços em planos concretos de investimento, comércio e combate ao crime organizado, argumentando que somente juntos podem superar os desafios que afetam o hemisfério.

