A União Europeia (UE) deu um passo significativo em direção à consolidação de um dos maiores acordos comerciais do mundo. Em uma decisão amplamente apoiada pelos países membros, a Comissão Europeia confirmou a aprovação para a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul, bloco composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou o que chamou de “decisão histórica”, ressaltando que a Europa envia um “sinal forte” de compromisso com o crescimento, a geração de empregos e a defesa dos interesses de consumidores e empresas europeias. O aval europeu abre caminho para que von der Leyen viaje ao Paraguai, que detém a presidência rotativa do Mercosul, para a ratificação formal do acordo.
Apesar do otimismo europeu, a aprovação provisória gerou reações diversas. Enquanto líderes europeus comemoram o avanço, grupos de agricultores em países como a França organizaram protestos, bloqueando ruas em Paris para manifestar sua oposição ao acordo, temendo o impacto na produção local.
Em comunicado oficial, a Comissão Europeia expressou expectativa pela assinatura, mas destacou que o acordo ainda necessita de aprovação pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor. “Em um momento em que o comércio e as dependências estão sendo usadas como armas, e a realidade em que vivemos se torna cada vez mais evidente, este acordo comercial histórico é mais uma prova de que a Europa traça seu próprio curso e se mantém como uma parceira confiável”, afirmou von der Leyen.
A liderança do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a presidência do Mercosul no segundo semestre de 2025, foi mencionada como um fator crucial para o avanço das negociações.
No Brasil, a notícia foi recebida com entusiasmo por setores políticos e empresariais. A Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) estima que o acordo criará um mercado com potencial de US$ 22 trilhões e poderá impulsionar as exportações brasileiras para a UE em aproximadamente US$ 7 bilhões. O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, destacou o alcance do novo bloco comercial, que abrange mais de 700 milhões de pessoas e um PIB superior ao da China.
O acordo prevê a redução imediata de tarifas em setores estratégicos para o Brasil, como máquinas, equipamentos de transporte, motores elétricos e autopeças, além de oportunidades para couro, pedras, lâminas e produtos químicos. Tarifas sobre diversas commodities também serão gradualmente zeradas, mediante cotas específicas.

