Em um pronunciamento transmitido no início da manhã deste sábado, Diosdado Cabello, figura proeminente do governo venezuelano e considerado o segundo político mais influente do país após o presidente Nicolás Maduro, apelou à serenidade da população diante de recentes ataques atribuídos aos Estados Unidos. O apelo ocorreu em um vídeo onde Cabello aparecia ao lado de militares armados.
“Pedimos calma ao nosso povo. Confiem na liderança do alto comando político e militar diante da situação que enfrentamos. Mantenham a tranquilidade, não permitam que ninguém caia no desespero, nem facilitem as ações do inimigo invasor, do inimigo terrorista que nos atacou covardemente”, declarou Cabello. A mensagem surge em um contexto de tensão elevada, após o que o governo venezuelano descreveu como um ataque dos EUA e o suposto sequestro do presidente Nicolás Maduro por forças americanas.
A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, exigiu dos EUA a apresentação de provas de vida de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Cabello, por sua vez, relatou que os bombardeios atingiram áreas civis e enfatizou a organização e determinação do povo venezuelano. Ele também questionou a postura de organizações mundiais e globais diante do que classificou como um ataque invasor com vítimas civis.
O ministro classificou a ação militar como “criminosa” e “covarde”, mas afirmou que o país mantém a calma. Segundo ele, os ataques americanos, embora tenham tido um sucesso “parcial” em seus objetivos de gerar revolta popular, falharam em seu propósito de incitar a covardia entre os venezuelanos. “Aqui não há covardes”, declarou.
Este incidente se insere em um histórico de intervenções dos EUA na América Latina, remetendo a ações como a invasão do Panamá em 1989. Washington acusa Maduro de liderar um cartel de drogas, alegações que, segundo especialistas, carecem de provas concretas e são vistas por críticos como uma estratégia geopolítica para controlar as vastas reservas petrolíferas da Venezuela e afastar influências de potências como China e Rússia. O governo dos EUA havia oferecido uma recompensa substancial por informações que levassem à prisão de Maduro.

