A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou neste sábado (3) que o país sul-americano não se tornará uma colônia dos Estados Unidos e prometeu resistência contra o que chamou de “investida” do governo norte-americano. A declaração surge em meio a alegações de que o presidente Nicolás Maduro teria sido capturado por militares dos EUA após bombardeios em território venezuelano.
Rodríguez enfatizou que Nicolás Maduro é o único presidente legítimo da Venezuela e exigiu sua “libertação imediata”, juntamente com a de sua esposa, Cilia Flores. “Jamais seremos escravos, jamais seremos colônia de qualquer império”, afirmou a vice-presidente em pronunciamento transmitido em rede nacional de rádio e TV.
A fala de Rodríguez ocorreu logo após uma coletiva de imprensa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual ele indicou que Washington administraria o país sul-americano até uma “transição segura” e admitiu o interesse de empresas americanas na exploração do petróleo venezuelano. A vice-presidente venezuelana classificou a ação como um “sequestro” e uma tentativa de controle dos recursos naturais do país sob “falsos pretextos”.
Em resposta à alegada invasão, Delcy Rodríguez informou que todos os órgãos do Estado venezuelano foram acionados por decreto presidencial para a proteção do território. “Todo o poder nacional da Venezuela foi acionado. Temos o dever sagrado de salvaguardar nossa independência nacional, nossa soberania e nossa integridade territorial”, declarou, convocando à união nacional para defender o país.
A vice-presidente também agradeceu o apoio internacional e alertou que a situação da Venezuela pode servir de precedente para outras nações. “O que fizeram com a Venezuela hoje podem fazer com qualquer um. Esse uso brutal da força para quebrar a vontade do povo pode ser feito com qualquer país”, comentou, ressaltando a preocupação com a intervenção direta em países latino-americanos, algo que não ocorria desde a invasão do Panamá em 1989.
O governo dos EUA acusa Maduro de liderar o suposto cartel “Los Soles”, alegação que especialistas em tráfico de drogas questionam a existência. O governo Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. Críticos apontam a ação como uma estratégia geopolítica para afastar a influência de China e Rússia na Venezuela e aumentar o controle sobre suas vastas reservas de petróleo.

