A deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP) foi eleita por aclamação para presidir a recém-criada Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados. A indicação representa um marco na luta histórica por visibilidade e representatividade para comunidades indígenas, ribeirinhas e tradicionais.
Cardoso destacou que a comissão, estabelecida em 2023, é o resultado de um anseio antigo por reconhecimento e inclusão política. “Estamos caminhando para chegar no centro, início para ter voz e vez”, afirmou a deputada, ressaltando o momento de retrocesso que essas populações ainda enfrentam.
Em seu discurso de posse, a parlamentar defendeu o potencial do Brasil em investir em fontes de energia limpa, preservação florestal e manejo sustentável como pilares para uma economia que gere renda e desenvolvimento sem a necessidade de desmatamento. “Que esta comissão seja espaço real de avanço nas políticas de combate ao desmatamento, ao garimpo ilegal, a todas as formas de violência contra o território, pessoas e mulheres para que as próximas gerações tenham rios vivos, florestas em pé, água limpa para beber e ar puro para respirar”, declarou.
Juliana Cardoso, que possui ascendência da etnia Terena, possui vasta experiência em gestão pública, tendo sido vereadora por São Paulo por quatro mandatos antes de sua eleição para a Câmara. Ela já atuou como vice-presidente da comissão nos biênios 2024-2025.
A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais tem como atribuição debater e votar propostas legislativas voltadas ao desenvolvimento da região amazônica e a questões indígenas, incluindo o regime de terras tradicionalmente ocupadas por essas populações. As comissões permanentes da Câmara, renovadas anualmente, são fundamentais para o debate e a votação de projetos de lei.

