O Brasil registra o maior número de eleitores com mais de 60 anos de sua história, com 36,8 milhões de cidadãos aptos a votar nas próximas eleições. Este grupo representa 23% do eleitorado total, evidenciando uma tendência de envelhecimento demográfico que impacta diretamente as estratégias de campanha e o debate político.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam um aumento de aproximadamente 74% no número de eleitores idosos desde 2010. Especialistas apontam que esse segmento se tornou crucial para candidaturas que buscam competitividade nacional, pois suas prioridades tendem a moldar a agenda política.
Questões como saúde pública, acesso a medicamentos, previdência social, assistência, segurança, mobilidade e custo de vida ganham relevância acentuada. Segundo Mayra Goulart, Doutora em Ciência Política e professora da UFRJ, essas pautas não afetam apenas os idosos, mas também suas famílias, especialmente aquelas que assumem a responsabilidade pelo cuidado de parentes mais velhos.
Embora a idade possa influenciar posições em temas morais ou comportamentais, a cientista política ressalta que não há uma homogeneidade de voto entre os eleitores idosos. Suas preocupações com políticas públicas, proteção social, previdência e estabilidade de renda são baseadas em experiências diretas com serviços estatais, mas as diferenças internas de renda, religião, escolaridade, gênero e região persistem.
Para eleitores com mais de 70 anos, o voto é facultativo, sem necessidade de justificativa ou penalização por ausência, mesmo que deixem de comparecer por três eleições consecutivas. No entanto, a participação ativa de idosos nas urnas tem crescido, impulsionada também pela maior presença feminina neste grupo demográfico. Mulheres representam a maioria em faixas etárias mais elevadas, trazendo consigo demandas específicas relacionadas a trajetórias de vida, rendimentos e redes de cuidado familiar.
Apesar do crescimento na participação, a abstenção entre os idosos ainda é um desafio significativo. Dos cerca de 16 milhões de brasileiros com mais de 70 anos, 8 milhões se abstiveram nas eleições de 2022, registrando quase 60% de não comparecimento. Barreiras como limitações de mobilidade, problemas de saúde, distância dos locais de votação e dependência de cuidadores contribuem para essa taxa.
Para mitigar a abstenção, especialistas sugerem o desenvolvimento de conteúdos eleitorais e institucionais voltados especificamente para o público idoso, utilizando linguagem, formatos e canais adequados. Um esforço de mobilização direcionado e a redução de barreiras práticas ao comparecimento são vistos como essenciais para garantir a plena participação deste segmento vital da sociedade.

