O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) anunciou os resultados da Operação Rede Interrompida, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A ação desarticulou um grupo suspeito de planejar atentados em Brasília, com alvos potenciais como prédios públicos na Esplanada dos Ministérios e o Supremo Tribunal Federal, além de planejar um atentado a bomba durante debates eleitorais no período de outubro.
A investigação teve início após o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do MJSP monitorar conversas em grupos abertos de Telegram, identificando o planejamento de atos violentos. O diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Senasp, Anchieta Nery, enfatizou que a operação foi além de meras opiniões online, revelando um plano concreto de violência que exigiu uma intervenção rápida e coordenada.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, destacou o papel crucial do Ciberlab na geração de inteligência e a importância da cooperação entre União e estados para a segurança da sociedade. A Operação Rede Interrompida contou com o apoio das forças policiais de cinco estados para cumprir oito mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
Entre os materiais apreendidos, foram encontrados manuais de fabricação de explosivos, mapas detalhados do centro de Brasília, incluindo plantas de ministérios e do Palácio do Planalto, considerados alvos primários pelos investigados. O delegado-geral da PCDF, José Werick de Carvalho, ressaltou que o objetivo foi identificar e interromper processos de radicalização precocemente para proteger cidadãos, autoridades e patrimônios.
Os oito investigados, com idades entre 19 e 31 anos, não possuem antecedentes criminais e não se conheciam pessoalmente, comunicando-se apenas pela internet. As investigações também revelaram que os suspeitos disseminavam conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos. A secretária Nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, mencionou o combate ao discurso de ódio online como um grande desafio e apresentou iniciativas como o Pacto Brasil contra o Feminicídio e a Estratégia Nacional Mulher Segura, que visam fortalecer a proteção de meninas e mulheres no país através de ações integradas e estratégicas.

