A centenária Corrida Internacional de São Silvestre, um marco no calendário esportivo brasileiro, celebra sua 100ª edição com um número expressivo de 55 mil inscritos, representando 44 países. Destaque especial para a participação feminina, que atingiu um recorde histórico, compondo 47% do total de corredores. Este avanço significativo na inclusão de mulheres na prova mais tradicional do Brasil tem sido celebrado por atletas e entusiastas do esporte.
Atletas de elite, como a corredora brasileira Núbia de Oliveira, que obteve o melhor desempenho nacional na edição anterior, expressaram otimismo e motivação com o crescente número de mulheres na disputa. Oliveira relembrou o passado, quando a participação feminina era restrita, e ressaltou a importância histórica da liberação para que mulheres pudessem competir a partir de 1975. Ela enfatizou como as pioneiras e campeãs inspiram as atuais corredoras, que, por sua vez, motivam novas gerações a participarem.
Segundo Oliveira, o aumento da corrida de rua tem proporcionado um espaço de reencontro e superação para as mulheres, demonstrando que não há limites impostos, apenas aqueles que elas mesmas definem. Essa perspectiva é ecoada por Jeane dos Santos, outra atleta brasileira, que compartilhou como a corrida a ajudou a superar a depressão e a ansiedade. Ela se tornou uma referência em sua cidade, inspirando outras mulheres a iniciarem no esporte, que descreve como um ato de libertação e autodescoberta.
Apesar do otimismo, o desafio de quebrar o jejum de vitórias brasileiras na São Silvestre, que perdura desde 2006, permanece. As atletas brasileiras enfrentarão forte concorrência das quenianas, que dominam o pódio desde 2016, como Cynthia Chemweno, vice-campeã do ano passado. A tanzaniana Sisilia Ginoka Panga também se mostrou preparada para a competição.
No cenário masculino, o último brasileiro a vencer a prova foi Marilson Gomes dos Santos em 2010, com um domínio africano subsequente. Johnatas Cruz, um dos brasileiros mais bem colocados nas últimas edições, apontou a diferença de mentalidade entre atletas brasileiros e africanos. Segundo ele, a abordagem coletiva dos africanos em treinos e corridas contrasta com a individualidade brasileira, sugerindo que uma maior união entre os compatriotas poderia elevar o nível competitivo do Brasil em provas internacionais. Wendell Jerônimo Souza corrobora essa visão, destacando a importância de um grupo coeso para um desempenho otimizado.
Atletas africanos como Wilson Maina, do Quênia, e Joseph Panga, da Tanzânia, reforçam a ideia de que a amizade e o treinamento em grupo são fundamentais para o sucesso. Maina explica que a união facilita a superação de dificuldades durante a prova, algo que, segundo ele, é menos comum entre os brasileiros, que tendem a treinar mais individualmente.
A centésima edição da Corrida Internacional de São Silvestre terá início na manhã de quarta-feira, 31 de dezembro de 2025. A programação começa com a largada dos Cadeirantes às 7h25, seguida pelas categorias Elite feminina e masculina, Pelotão Premium e, por fim, o pelotão geral. O percurso de 15 quilômetros, mantido desde 1991 com pequenas adaptações, parte da Avenida Paulista, inclui a desafiadora subida da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio e termina em frente à Fundação Cásper Líbero, também na Avenida Paulista.

