O governo federal anunciou uma iniciativa inédita que permitirá à população brasileira participar ativamente da alocação de recursos públicos. O projeto, batizado de “Orçamento do Povo”, visa democratizar a elaboração do Orçamento da União, dando aos cidadãos o poder de influenciar diretamente as decisões sobre onde o dinheiro público será investido.
Segundo Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, a proposta tem o objetivo de cultivar uma cultura de participação cidadã, onde as pessoas possam apontar as reais necessidades e prioridades de suas comunidades. “A ideia é, justamente, criar essa cultura do povo apontar o dedo e decidir o que precisa no seu município, qual a prioridade”, declarou Boulos em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, do Canal Gov.
O lançamento oficial do “Orçamento do Povo” está previsto para o próximo mês. Embora o primeiro ano da iniciativa tenha um caráter predominantemente didático – uma vez que o Orçamento de 2026 já foi aprovado –, a meta é iniciar a formação dessa nova mentalidade de gestão pública participativa. A iniciativa surge em um contexto de debates sobre a transparência do uso de verbas públicas, como o “orçamento secreto”, que movimentou R$ 61 bilhões em emendas parlamentares neste ano, muitas vezes sem clareza sobre seu destino.
A dinâmica do “Orçamento do Povo” permitirá que cada cidadão vote em uma proposta específica para ser implementada em sua cidade. O projeto piloto contemplará inicialmente cerca de 400 municípios, incluindo todas as capitais brasileiras. Cada localidade terá um orçamento definido, e os recursos serão provenientes de ministérios que aderirem à iniciativa. Sete pastas ministeriais já confirmaram participação.
Exemplos práticos ilustram o alcance da proposta: a área da Saúde poderá destinar parte de seus recursos para que a população escolha as cidades prioritárias para receber novas ambulâncias do SAMU. Outras opções podem incluir a escolha entre a instalação de praças com Wi-Fi, um projeto do Ministério das Comunicações, ou a climatização de salas de aula em escolas, iniciativa do Ministério da Educação. O Ministério da Cultura também poderá oferecer projetos como o MovCEU, que leva atividades culturais itinerantes às comunidades.
O ministro Boulos enfatizou que a proposta mais votada pela população será encaminhada pelo governo para execução. “Quando você cria essa cultura – de botar o dedo e dizer para onde vai o dinheiro – ninguém segura mais o povo. E é isso que a gente quer”, concluiu o ministro, reforçando o potencial transformador da participação cidadã na gestão dos recursos públicos.

