O Banco de Brasília (BRB) necessita de R$ 8,8 bilhões para cobrir potenciais perdas decorrentes de transações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. A informação foi confirmada pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, que explicou que o montante servirá como uma reserva para assegurar a solidez financeira da instituição.
O cálculo do valor foi realizado após uma auditoria interna que identificou que R$ 8,8 bilhões de um total de R$ 30 bilhões em títulos adquiridos do Master podem estar irrecuperáveis. Desses, R$ 2,6 bilhões não possuem garantias reais, levantando preocupações sobre o reembolso ao BRB.
Para sanar o déficit e tranquilizar clientes e o mercado, o Governo do Distrito Federal (GDF), acionista majoritário do BRB com 53,7% das ações, propôs um projeto de lei. A proposta, que já foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), autoriza um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Nelson de Souza detalhou que o provisionamento de R$ 8,8 bilhões será completado através da securitização da dívida do GDF. Este mecanismo permite ao governo antecipar recebimentos de créditos futuros. Em uma primeira etapa, o BRB já recebeu R$ 1,17 bilhão. A expectativa é arrecadar pelo menos mais R$ 3 bilhões com a operação, estruturada com o apoio do BTG Pactual.
“Precisaremos de apenas R$ 2,2 bi para termos o aporte de R$ 8,8 bi”, afirmou Souza, ressaltando a importância da aprovação do projeto de lei pela Câmara Legislativa do DF para a conclusão do plano. Ele classificou a aprovação como “fundamental” para a sobrevivência do BRB, admitindo que o banco enfrenta desafios significativos e é considerado o “maior problema” do atual sistema financeiro nacional.
O presidente do BRB destacou que o problema com o Master é substancial e que o BRB se tornou a principal vítima. O banco gerencia cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais de quatro estados e do Distrito Federal, além de deter aproximadamente 64% dos financiamentos imobiliários na capital federal, com uma carteira de quase R$ 15 bilhões.
Souza alertou que a eventual liquidação ou intervenção do BRB pelo Banco Central representaria um grave problema não apenas para Brasília, mas para todas as regiões onde a instituição atua. Ele assegurou que, com o provisionamento, o banco possui a estrutura necessária para continuar operando regularmente, afirmando que a instituição está mais saudável do que em novembro do ano passado e nunca deixou de cumprir suas obrigações.

