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    Economia

    Tarifaço dos EUA: impacto limitado na balança comercial brasileira, mas setores industriais sentem o golpe

    RedaçãoPor Redação20 de julho de 2026
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    As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, embora representem um golpe para determinados setores da indústria nacional, devem ter um efeito restrito na balança comercial geral do Brasil. Especialistas apontam que as medidas, que afetam cerca de 18% das exportações brasileiras para o mercado americano, concentrarão seus impactos em segmentos com dificuldades de diversificar seus destinos de exportação.

    Setores como o de máquinas, aço, alumínio, calçados e automóveis são os mais vulneráveis. Segundo análises, a perda de competitividade nesses mercados pode ser significativa, especialmente para empresas que já enfrentam desafios para realocar suas exportações. Estados como São Paulo e Santa Catarina, com forte presença desses setores, devem sentir o impacto de forma mais acentuada, representando 52% do efeito total.

    No primeiro semestre de 2026, o Brasil registrou um déficit comercial com os Estados Unidos de US$ 1,5 bilhão. As trocas comerciais entre os dois países somaram US$ 36,4 bilhões no período, uma queda de 12,8% em relação ao ano anterior. As exportações brasileiras recuaram 13%, para US$ 17,4 bilhões, enquanto as importações de produtos americanos caíram 12,5%, totalizando US$ 19 bilhões.

    Lia Valls, pesquisadora associada do Ibre/FGV, destaca que a alteração no saldo agregado da balança comercial é improvável, dado que a Ásia, especialmente a China, representa o principal destino das exportações brasileiras, com uma participação atual dos EUA em torno de 9,4%. “O nosso grande mercado realmente é a Ásia, principalmente a China”, afirma Valls.

    José Augusto de Castro, presidente executivo da AEB, reforça que o superávit comercial brasileiro é impulsionado por commodities, como soja, suco de laranja e carnes, produtos que foram poupados das novas tarifas. “O tarifaço poupou justamente commodities com as quais o Brasil compete com os Estados Unidos”, explica Castro.

    No entanto, o prejuízo para a indústria nacional de manufaturados, que geram mais empregos, é uma preocupação. O Brasil possui um déficit considerável em produtos manufaturados, e as novas barreiras podem abrir espaço para concorrentes internacionais. “Esse déficit é que preocupa, porque é o setor manufatureiro que gera emprego no Brasil”, alerta Castro.

    A escalada tarifária, segundo Valls, parece ter motivações mais políticas do que econômicas, especialmente considerando que o Brasil tem um superávit comercial com os EUA. “Quando ele [Trump] aumentou para 40%, os argumentos realmente eram muito mais de caráter político. Não tinha muito argumento econômico nessa história”, observa a economista.

    Quanto a uma possível retaliação por parte do Brasil, especialistas como Valls e Castro veem pouca eficácia. “O problema é que a gente não tem capacidade de retaliação contra os Estados Unidos. Se você não consegue causar um dano efetivo ao outro, acaba revertendo contra você”, avalia Valls, sugerindo que o caminho mais eficaz seria denunciar a medida na Organização Mundial do Comércio (OMC).

    Castro concorda, afirmando que o comércio internacional se baseia em negociações, não em retaliações. “O Brasil não tem cacife para retaliar os Estados Unidos. Temos tudo a perder e nada a ganhar”, adverte.

    As tarifas, impostas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA, atingem 24% dos produtos com alíquotas que chegam a 50%, somando-se a tarifas preexistentes. Setores como aço, alumínio, automóveis, máquinas, equipamentos, calçados e produtos de madeira estão entre os mais afetados, enquanto aeronaves, petróleo, soja, café, carne bovina e suco de laranja foram poupados.

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