A Dívida Pública Federal (DPF) registrou um leve aumento em julho, atingindo R$ 9,288 trilhões, o que representa um crescimento de 0,22% em relação ao mês anterior. O Tesouro Nacional divulgou os dados nesta quarta-feira (26), indicando que a alta foi influenciada principalmente pela incidência dos juros sobre a dívida.
Em junho, a DPF já havia superado a marca de R$ 9 trilhões. Apesar do crescimento em julho, o valor total da dívida pública permanece abaixo das projeções estabelecidas no Plano Anual de Financiamento (PAF). Segundo o plano, revisado recentemente, a DPF deve se situar entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões até o final de 2026.
A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi), que representa os títulos emitidos no país, avançou 0,31%, alcançando R$ 8,948 trilhões em julho. Embora o Tesouro Nacional tenha resgatado mais títulos do que emitiu no período, especialmente os prefixados, a apropriação de juros no valor de R$ 89,95 bilhões impediu uma redução no endividamento total. A apropriação de juros é o reconhecimento mensal da correção monetária e dos juros aplicados aos títulos, que são incorporados ao estoque da dívida. Com a Taxa Selic em 14% ao ano, esse mecanismo tem exercido pressão sobre o endividamento governamental.
No mês de julho, a emissão de títulos da DPMFi somou R$ 198,14 bilhões, sendo R$ 124,11 bilhões atrelados à Selic. Os resgates totalizaram R$ 260,05 bilhões, impulsionados pelo vencimento de títulos prefixados, que ocorre com maior frequência no início de cada trimestre.
Em contrapartida, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou uma queda de 2,12%, passando para R$ 340,06 bilhões em julho. A principal causa dessa redução foi a desvalorização do dólar no período.
Um ponto de destaque é o aumento do chamado “colchão da dívida pública”, que é a reserva financeira destinada a cobrir momentos de turbulência ou concentração de vencimentos. Essa reserva subiu pelo quarto mês consecutivo, atingindo R$ 1,346 trilhão, o maior nível desde o início da série histórica em 2015. Atualmente, esse colchão é suficiente para cobrir 7,81 meses de vencimentos da dívida. Nos próximos 12 meses, prevê-se o vencimento de R$ 1,76 trilhão em títulos federais.
A composição da DPF em julho mostrou uma variação significativa, com o aumento da participação de títulos vinculados à Selic (de 49,32% para 51,11%) e de títulos corrigidos pela inflação (de 25,9% para 26,02%). Houve uma redução nos títulos prefixados (de 21,04% para 19,22%) e nos vinculados ao câmbio (de 3,74% para 3,65%). As projeções do PAF para o final do ano indicam a manutenção dessa tendência, com maior concentração em títulos atrelados à Selic e à inflação.
A participação de investidores estrangeiros na dívida interna apresentou uma leve queda, passando de 9,95% para 9,82% em julho. Historicamente, um aumento nessa fatia é visto como um indicativo de maior confiança dos investidores no país, especialmente em períodos de maior tensão no mercado financeiro internacional.
O prazo médio da Dívida Pública Federal aumentou ligeiramente, de 4,01 para 4,05 anos. Um prazo médio mais longo geralmente sinaliza maior confiança na capacidade do governo de honrar seus compromissos financeiros futuros.

