Em uma movimentação estratégica para diversificar suas parcerias comerciais e mitigar os efeitos de tarifas impostas pelos Estados Unidos, o Brasil assinou um memorando de entendimento com a Índia. O acordo, formalizado entre a ApexBrasil e a Confederação das Indústrias Indianas, visa fortalecer os laços empresariais, impulsionar investimentos e gerar novas oportunidades de negócios entre as duas nações.
A iniciativa surge em um momento crucial, enquanto o governo brasileiro busca ativamente reduzir a dependência de mercados tradicionais e se proteger de sobretaxas que impactam produtos nacionais. Paralelamente à expansão de sua presença em novos mercados, o Brasil também se prepara para reabrir o diálogo com os Estados Unidos sobre as tarifas comerciais.
A agenda bilateral com os EUA prevê uma reunião virtual na próxima segunda-feira (31) entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. O chanceler Mauro Vieira também participará do encontro, sinalizando a importância do tema para o governo brasileiro.
O acordo com a Índia, firmado na sede da ApexBrasil em Brasília, não possui caráter vinculante, mas estabelece um canal para intercâmbio de informações sobre os respectivos mercados, compartilhamento de melhores práticas e promoção conjunta de feiras e da internacionalização de pequenas e médias empresas. O objetivo é criar uma base institucional sólida para atrair investimentos e facilitar negócios conjuntos.
A ambição é que o comércio bilateral entre Brasil e Índia atinja a marca de US$ 20 bilhões até 2030. Em 2025, as exportações brasileiras para a Índia já superaram US$ 6,9 bilhões, enquanto as importações brasileiras do país asiático ultrapassaram US$ 8,4 bilhões, totalizando um intercâmbio de US$ 15,2 bilhões. No ano passado, as exportações brasileiras para a Índia atingiram quase US$ 7 bilhões, o maior volume em duas décadas.
Atualmente, a Índia figura como o décimo principal destino das exportações brasileiras, e o Brasil se posiciona como o 26º maior fornecedor para o mercado indiano. A relação comercial entre os dois países demonstrou um crescimento expressivo de 82% nos últimos anos, impulsionada por setores estratégicos como indústria farmacêutica, bioenergia, biocombustíveis, fertilizantes e dispositivos médicos.
A exploração de minerais críticos também é um eixo de interesse para ambos os países, com o Brasil buscando parcerias que priorizem o desenvolvimento de tecnologia nacional. O agronegócio brasileiro também pode se beneficiar, buscando maior inserção em mercados internacionais e diversificando seus destinos de exportação.
Em relação às negociações com os Estados Unidos, o ministro Márcio Elias Rosa expressou otimismo, destacando que a conversa entre os presidentes Lula e Trump foi fundamental para a retomada do diálogo sem a necessidade de concessões prévias por parte do Brasil. As discussões poderão abordar listas de exceções tarifárias e a aplicação da Lei de Reciprocidade, enquanto o governo mantém o compromisso de proteger empresas brasileiras afetadas pelas sobretaxas, inclusive por meio do programa Brasil Soberano.
A estratégia brasileira, portanto, combina a busca por novos mercados, como a Índia, com a defesa firme dos interesses nacionais nas negociações com os Estados Unidos, visando um comércio internacional mais equilibrado e vantajoso para o país.

