O professor Hertz Dias, candidato do PSTU à Presidência da República, apresentou um plano de governo que prioriza o fim da escala de trabalho 6×1, a revogação das reformas trabalhista e da Previdência, e o combate à concentração de poder econômico no país. Suas propostas visam, segundo ele, a construção de um governo atuante para a classe trabalhadora e seus aliados.
A plataforma de governo de Dias defende a reindustrialização do Brasil e o fim das privatizações em setores estratégicos como metrôs, estradas e ferrovias, com a reestatização de empresas. O documento parte da análise de que o país, apesar de ser uma das maiores economias globais, enfrenta uma profunda desigualdade social, com a maioria da população vivendo com rendimentos baixos. O PSTU argumenta que o Brasil tem passado por um processo de retrocesso e recolonização, impulsionado pela dominação imperialista, resultando em desindustrialização, empobrecimento e precarização do trabalho.
Para reverter esse cenário, o plano propõe um governo operado diretamente pela classe trabalhadora, com controle sobre a economia e os recursos nacionais. Na esfera econômica, a proposta inclui o fim de benefícios fiscais para grandes empresas, tributação progressiva sobre lucros e grandes fortunas, e a limitação na distribuição de dividendos. A expropriação da produção nacional de ouro e metais preciosos estratégicos também é prevista, com o objetivo de fortalecer as reservas cambiais públicas e reduzir a dependência de moedas estrangeiras.
No âmbito trabalhista, Hertz Dias defende a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais sem corte salarial, o fim da escala 6×1 e da terceirização generalizada, além de um plano nacional de obras públicas para geração de empregos. O programa também prevê a universalização do saneamento básico, a construção de equipamentos públicos como escolas e hospitais, e um aumento significativo do salário mínimo. A revogação das reformas trabalhista e da Previdência, e a reestatização de empresas privatizadas são pontos centrais, assim como a garantia de direitos para trabalhadores de aplicativos, incluindo reconhecimento de vínculo empregatício e benefícios como férias e previdência.
O plano de governo aborda ainda a demarcação de terras indígenas e quilombolas, o fim dos subsídios ao agronegócio e a expropriação de grandes propriedades rurais. Para as mulheres, a proposta inclui igualdade salarial, acesso prioritário a empregos e políticas públicas, creches e escolas em tempo integral, além da legalização do aborto e licença parental estendida. Medidas semelhantes são propostas para a população LGBTQIA+, com foco em saúde especializada e direitos reprodutivos. A questão racial é tratada com a titulação de territórios quilombolas, ampliação de cotas e combate à intolerância religiosa, com atenção especial às mulheres negras.
Em segurança pública, a proposta é a desmilitarização da Polícia Militar e a unificação das forças sob controle dos trabalhadores, além do fim da criminalização de manifestações culturais periféricas e da Lei Antidrogas. O combate ao crime organizado seria focado na investigação e desarticulação de negócios, atingindo fontes de financiamento e relações com agentes públicos e empresariais. Na saúde, o plano defende um sistema 100% público e estatal, com o fim da gestão privada e ampliação do investimento público, priorizando a atenção básica e a produção pública de medicamentos. Na educação, a proposta é por uma formação pública de qualidade, com o fim de parcerias público-privadas e terceirizações, e a valorização dos profissionais da área.
No transporte público, Hertz Dias propõe a tarifa zero e a reversão de concessões privadas, com controle público e dos trabalhadores. Para a habitação, o plano prevê a construção massiva de moradias populares e a urbanização de periferias, com a expropriação de imóveis abandonados ou ociosos.

