Um grupo de 31 parlamentares democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao Secretário de Estado, Antony Blinken, expressando profunda preocupação com o que descrevem como um esforço coordenado do governo de Donald Trump para interferir nas eleições presidenciais brasileiras de 2026. A missiva, entregue nesta quinta-feira (24), acusa a administração Trump de minar a aliança estratégica entre os dois países e enfraquecer a democracia no Hemisfério Ocidental.
Os democratas detalham na carta uma série de ações que, segundo eles, visam garantir a vitória de Flávio Bolsonaro, candidato de extrema-direita e alinhado politicamente com Trump. Entre as medidas citadas estão a imposição de tarifas a produtos brasileiros, supostamente para evitar condenações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (pai de Flávio), que foi sentenciado a mais de 27 anos de prisão e cumpre prisão domiciliar. A carta também menciona a nomeação de Darren Beattie, descrito como um “conhecido extremista de direita e supremacista branco”, para um cargo sênior de assessoramento sobre o Brasil, lembrando que Beattie teve sua entrada no país negada em março.
Em contraste, os parlamentares recordaram a postura da administração Joe Biden durante as eleições brasileiras de 2022, marcada pelo apoio ao sistema eleitoral e pelo reconhecimento dos resultados. “Em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos atuam como agentes de interferência e desestabilização”, afirmam os democratas, alertando para o risco de enfraquecer instituições, minar a confiança no processo eleitoral e prejudicar a relação bilateral.
A carta aponta que tais ações refletem um padrão preocupante de interferência da administração Trump em processos eleitorais recentes na América Latina, citando exemplos na Colômbia, Honduras e Argentina. Os parlamentares solicitaram explicações sobre outras medidas americanas em relação ao Brasil, como a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes do STF, a classificação do Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas, e a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti.
Adicionalmente, os signatários pediram um compromisso formal dos EUA em respeitar o processo eleitoral brasileiro, reconhecer o resultado das urnas e manter relações diplomáticas normais com o presidente eleito, independentemente de sua afiliação política. As declarações ocorrem em um contexto onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na ONU, defendeu a soberania nacional e criticou a ingerência externa em processos políticos na América Latina e Caribe.

