Governador de São Paulo critica decisão de Alexandre de Moraes, classifica prisão domiciliar como “absurdo” e defende anistia para pacificação política.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez duras críticas ao sistema judicial brasileiro após a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista ao Diário do Grande ABC, Tarcísio afirmou que considera a medida “injusta” e que, diante do atual cenário, “hoje não posso falar que confio na Justiça”.
A prisão domiciliar foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que acusou Bolsonaro de descumprir medidas cautelares impostas no âmbito da investigação sobre tentativa de golpe de Estado e ataques ao sistema democrático. Entre as restrições violadas estaria o uso de redes sociais.
Tarcísio classificou a decisão como uma “sucessão de erros” e questionou se a estratégia adotada pela Corte não compromete a própria democracia. “Vale a pena acabar com a democracia sob o pretexto de salvá-la?”, declarou. Segundo ele, Bolsonaro teria sido “julgado e condenado muito antes de tudo isso começar”, sem que houvesse comprovação robusta das acusações.
Além da entrevista, o governador reforçou publicamente sua solidariedade ao ex-presidente durante a Festa do Peão de Barretos, quando chegou a erguer um boneco de Bolsonaro diante da plateia. No evento, afirmou que Bolsonaro enfrenta “uma grande injustiça” e que “se a humilhação traz tristeza, o tempo vai trazer justiça”.
Defesa da Anistia e Impacto Político
O governador também defendeu a construção de uma anistia pelo Congresso Nacional como forma de pacificação do País. “Não podemos viver sob o signo da vingança política. O Brasil precisa se reconciliar”, afirmou.
As declarações de Tarcísio repercutiram em Brasília e foram vistas como um gesto de alinhamento ao bolsonarismo, mas também como um movimento estratégico para consolidar seu nome como uma das principais lideranças da direita em cenário pré-eleitoral de 2026.
Ministros do STF, no entanto, reagiram negativamente. De acordo com bastidores, a fala sobre “eleições livres, justas e competitivas” foi interpretada como um aceno ao discurso de perseguição que predomina entre apoiadores de Bolsonaro, aumentando as tensões entre o Palácio dos Bandeirantes e a Suprema Corte.
Contexto Jurídico
Bolsonaro responde a processo no STF pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Indiciado em novembro de 2024 e denunciado em fevereiro de 2025, o ex-presidente é acusado de liderar articulações para minar o processo eleitoral e permanecer no poder.
A decisão de prisão domiciliar representa um marco no processo, já que Bolsonaro vinha se apresentando como vítima de perseguição política, discurso amplificado por seus aliados.
Perspectivas
Enquanto o STF avança no julgamento, Tarcísio de Freitas busca equilibrar sua defesa de Bolsonaro com a tentativa de se projetar como figura nacional capaz de dialogar com diferentes setores. Resta saber se a estratégia de solidariedade ao ex-presidente será suficiente para ampliar sua base ou se aumentará ainda mais o distanciamento com setores institucionais que hoje o observam com desconfiança.

