Um vídeo divulgado nas redes sociais no último domingo (21) provocou forte repercussão ao mostrar uma empresária e outros apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ateando fogo em uma pilha de chinelos da marca Havaianas, no município de Alta Floresta, em Mato Grosso. A cena foi apresentada pelos participantes como um ato de protesto político contra a empresa após críticas feitas durante uma campanha publicitária veiculada no fim do ano.
Nas imagens, uma das mulheres que participa da gravação afirma, em tom provocativo: “Nós vamos começar 2026 com o pé direito, sim, porque nós somos de direita”. A frase, acompanhada pela queima dos produtos, foi interpretada por internautas como uma manifestação ideológica extrema e rapidamente se espalhou por diferentes plataformas digitais.
O episódio gerou intensa polarização nas redes sociais. De um lado, apoiadores defenderam o boicote como uma forma legítima de manifestação política e crítica ao posicionamento de marcas no debate público. Do outro, usuários condenaram o ato, classificando-o como desperdício, intolerância e radicalização do consumo com viés ideológico.
Especialistas em comunicação e marketing apontam que o cenário reflete um fenômeno crescente no Brasil: a politização das marcas e a resposta de consumidores que transformam o boicote em espetáculo nas redes. Para críticos, ações como essa contribuem para aprofundar divisões sociais e reduzir o debate a gestos simbólicos de confronto.
Até o momento, a empresa Havaianas não se manifestou oficialmente sobre o vídeo ou sobre o protesto realizado em Mato Grosso. Enquanto isso, o conteúdo segue circulando e alimentando discussões sobre limites da militância política, liberdade de expressão e o impacto da polarização no comportamento de consumo no país.

