As mulheres do Teçume d’Amazônia celebraram, entre os dias 6 e 7 de dezembro, 25 anos de uma trajetória marcada por luta, união e transformação, na comunidade São João do Ipecaçu, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (AM). O encontro reuniu artesãs, famílias, comunidades vizinhas e parceiros institucionais para revisitar memórias, celebrar conquistas e reafirmar a força coletiva que sustenta o grupo há mais de duas décadas.
Criado no início dos anos 2000, o Teçume d’Amazônia nasceu da organização de mulheres do setor Coraci, que encontraram no artesanato com a fibra do cauaçu uma forma de geração de renda, valorização cultural e fortalecimento social. Ao longo do tempo, o grupo se consolidou como referência em artesanato de origem florestal, unindo saberes tradicionais, manejo sustentável e protagonismo feminino.
A programação comemorativa teve início com a retomada da história do coletivo, seguida de dinâmicas, palestras e rodas de conversa sobre temas como empreendedorismo, saúde da mulher, manejo da pesca e ações socioambientais na Amazônia. O evento contou com a participação de parceiros como o Instituto Mamirauá, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), a FEMAPAM e a Universidade Paulista (UNIP), fortalecendo a troca de experiências entre comunidades e instituições.
Um dos momentos simbólicos foi a distribuição do álbum de memórias do Teçume d’Amazônia, que registra a trajetória do grupo ao longo de seus 25 anos, preservando histórias, rostos e conquistas que ajudaram a construir essa caminhada coletiva.
O cuidado com o bem-estar também esteve presente na programação. As mulheres receberam atendimentos de saúde, com exames preventivos e procedimentos estéticos realizados por profissionais da UNIP, reforçando a importância do cuidado integral com o corpo e a autoestima.
Durante o evento, foi exibido um filme sobre a memória e a força do Teçume d’Amazônia, produzido com a colaboração da assessoria de comunicação do Instituto Mamirauá. À noite, o centro comunitário se transformou em palco de uma intensa programação cultural, com exibição de documentário, apresentações musicais, bingo e um desfile que destacou as tinturas naturais e os grafismos do teçume, em roupas confeccionadas pelas artesãs Geovana da Silva de Souza e Silene da Silva Cardoso.
A dimensão intergeracional do encontro foi destacada pela diretora de Manejo e Desenvolvimento do Instituto Mamirauá, Dávila Corrêa, que ressaltou o envolvimento de toda a comunidade na celebração. Para ela, o evento foi mais do que uma comemoração: foi a prova de que as memórias coletivas seguem vivas e compartilhadas entre homens, mulheres, crianças e jovens.
Os relatos emocionados das artesãs marcaram os dois dias de celebração. Frases como “25 anos não são 25 dias” e “foram 25 anos de muita luta, mas também de muita conquista” traduziram o sentimento coletivo. Entre os depoimentos, destacou-se o de Maria Marly das Chagas de Oliveira, que relembrou o aprendizado construído em conjunto, os desafios enfrentados e o crescimento pessoal e coletivo proporcionado pelo grupo.
A jovem artesã Daniele da Silva da Mota, que integra o Teçume há cinco anos, também compartilhou sua experiência, destacando como o grupo abriu caminhos de aprendizado, renda e pertencimento. Histórias como a dela reforçam a continuidade do saber tradicional, transmitido entre gerações de mães, filhas, netas, irmãs e sobrinhas.
O papel dos homens da comunidade também foi reconhecido, tanto na organização do evento quanto no apoio cotidiano às mulheres, seja na colheita do cauaçu, na cadeia produtiva do teçume ou nos cuidados com o lar, reforçando o caráter comunitário e colaborativo do trabalho.
Ao longo de sua história, o Teçume d’Amazônia ampliou sua atuação, conquistou reconhecimento institucional e comercial, alcançou mercados nacionais e recebeu importantes premiações. Entre seus marcos mais recentes está a participação na COP30, onde o grupo apresentou sua experiência de manejo sustentável e organização comunitária como exemplo de solução baseada em saberes tradicionais para o enfrentamento da crise climática.
Celebrar 25 anos do Teçume d’Amazônia é celebrar a força das mulheres amazônidas, a preservação da floresta, a autonomia econômica e a identidade cultural de um território. O teçume segue firme como símbolo de resistência, criatividade e futuro — tecido por mãos femininas que transformam tradição em caminho de desenvolvimento e esperança para as próximas gerações.

