A arte indígena vai muito além da estética. Cada traço carrega memória, espiritualidade, ancestralidade e resistência. É justamente essa mensagem que a artista indígena Thaís Kokama vem levando ao público por meio da pintura corporal tradicional do povo Kokama.

Natural do Amazonas e integrante da aldeia Inhaã-bé, em Manaus, Thaís utiliza o grafismo indígena como ferramenta de fortalecimento cultural e valorização dos povos originários. Em suas redes sociais, a artista emocionou seguidores ao compartilhar um vídeo falando sobre a importância da arte indígena como símbolo de identidade e permanência cultural.
“Arte indígena nunca foi sobre exclusão. Ela sempre foi sobre memória, identidade e resistência”, declarou.

A fala rapidamente repercutiu entre admiradores da cultura indígena e levantou debates importantes sobre valorização, respeito e reconhecimento do trabalho de artistas originários. Para Thaís, o problema nunca esteve nas pessoas admirarem a cultura indígena, mas sim no apagamento histórico sofrido pelos povos originários ao longo dos anos.
“O problema nunca foi admirar nossa cultura… O problema é usar sem respeito e apagar quem criou”, afirmou.

Além de representar ancestralidade, a pintura corporal também é uma importante fonte de renda para muitas famílias indígenas. Thaís reforça que apoiar diretamente artistas indígenas é uma forma de fortalecimento cultural e econômico das comunidades tradicionais.
“Quando alguém compra diretamente de um artista indígena, isso não é apropriação. Isso é valorização. É fortalecimento cultural”, destacou.
O trabalho desenvolvido por Thaís Kokama ultrapassa as redes sociais e alcança espaços importantes da cultura amazônica. A artista também atua como compositora, cineasta e ativista cultural, sendo reconhecida por abrir caminhos históricos dentro da arte indígena contemporânea. Ela se tornou a primeira compositora indígena a integrar o Festival Folclórico de Parintins pelo boi Caprichoso, ampliando ainda mais a representatividade indígena dentro de um dos maiores eventos culturais do Brasil.

Na aldeia Inhaã-bé, o trabalho artístico desenvolvido por Thaís ajuda a preservar tradições ancestrais e incentiva novas gerações a manterem viva a identidade cultural do povo Kokama. Através da pintura corporal, ela transforma o próprio corpo em uma tela de resistência, contando histórias que atravessam gerações.
Em tempos de debates sobre pertencimento cultural e representatividade, Thaís Kokama reforça uma mensagem clara: a arte indígena não deve ser invisibilizada, mas respeitada, reconhecida e mantida viva.
🌿 “Nossa arte não precisa ficar escondida. Ela precisa ser reconhecida, respeitada e mantida viva.”

