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    Economia

    Consumo familiar impulsiona mercado de trabalho e leva desemprego a mínima histórica em 2025

    RedaçãoPor Redação30 de janeiro de 2026
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    Apesar de a taxa básica de juros do Brasil ter atingido em 2025 o patamar mais elevado em quase duas décadas, um fator que historicamente desacelera a economia, o país registrou no ano passado a menor taxa de desemprego desde 2012, início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O principal motor por trás dessa performance surpreendente do mercado de trabalho foi o vigoroso consumo das famílias brasileiras, conforme análise de Adriana Beringuy, coordenadora da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

    Os dados da Pnad revelaram que a taxa de desocupação anual ficou em 5,6% em 2025, uma queda significativa em relação aos 6,6% registrados em 2024. No total, a economia brasileira abrigou 103 milhões de trabalhadores ocupados, enquanto 6,2 milhões de pessoas procuraram ativamente por emprego nos 30 dias anteriores à pesquisa, segundo os critérios do IBGE. A pesquisa abrange indivíduos a partir de 14 anos e considera todas as modalidades de ocupação, com ou sem carteira assinada, trabalhos temporários e por conta própria.

    A escalada da taxa Selic, iniciada em setembro de 2024 pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para conter a inflação e elevada de 10,5% para 15% ao ano em junho de 2025, geralmente tem um efeito restritivo sobre a economia. Juros mais altos encarecem o crédito e tendem a desestimular investimentos e o consumo, o que, por sua vez, pode frear a geração de empregos. No entanto, esse cenário não se confirmou plenamente.

    Adriana Beringuy explica que a transmissão do impacto dos juros na economia não é uniforme. Em 2025, o consumo das famílias não se concentrou em bens duráveis ou atividades altamente dependentes de crédito. Em vez disso, o aumento do número de ocupados, a elevação da renda e a valorização do salário mínimo criaram um ciclo virtuoso de retroalimentação. O rendimento médio mensal do trabalhador atingiu um recorde de R$ 3.560 em 2025, um aumento real de 5,7% em relação ao ano anterior.

    Esse consumo foi direcionado principalmente para bens não duráveis, como alimentação e vestuário, e serviços, como os de alimentação e pessoais. O crescimento da renda, aliado ao controle inflacionário e à valorização real do salário mínimo – que beneficia especialmente os trabalhadores de menor escolaridade –, sustentou essa demanda. A pesquisa do IBGE detalha a distribuição dos 103 milhões de ocupados por setor, com o comércio liderando a geração de vagas, seguido pela administração pública e serviços.

    Um destaque adicional da pesquisa é o aumento do número de trabalhadores por conta própria, que totalizaram 26,1 milhões em 2025, sendo 73% informais. Esse crescimento não significou uma retração nos empregos com carteira assinada, que atingiram o maior patamar da série histórica com 38,9 milhões de pessoas. O número de empregados sem carteira assinada, por outro lado, caiu 0,8% no período.

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