A moeda americana fechou em forte queda nesta quinta-feira (30), atingindo o menor valor em quase dois meses, cotada a R$ 5,061. A desvalorização do dólar foi impulsionada por um alívio no cenário internacional, com a moeda dos Estados Unidos perdendo força globalmente e o ingresso de capital estrangeiro no Brasil.
O ambiente externo mais ameno favoreceu a bolsa brasileira, com o Ibovespa registrando uma alta de aproximadamente 2%, enquanto os preços do petróleo recuaram. Investidores demonstraram uma redução na percepção de risco, em parte motivada pela diminuição das tensões no Oriente Médio.
A melhora no cenário global foi desencadeada pela divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos. O núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE), um indicador chave acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), apresentou uma alta de apenas 0,1% em junho, abaixo das expectativas do mercado. Essa desaceleração reforça a possibilidade de o Fed adotar uma postura menos agressiva em relação às taxas de juros nos próximos meses, o que historicamente beneficia ativos de maior risco, como ações e moedas de economias emergentes.
A expectativa de juros estáveis ou em queda nos Estados Unidos leva investidores a buscar maior rentabilidade em outros mercados. Nesse contexto, o real tende a se valorizar, assim como outras moedas de países emergentes. Adicionalmente, relatos de operadores indicaram um aumento na entrada de investidores estrangeiros no mercado brasileiro, especialmente em ações de grandes companhias, o que contribui para o aumento da oferta de dólares e, consequentemente, para a valorização da moeda nacional.
No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a seis moedas fortes, apresentou queda de 0,93%, impulsionado também pela valorização do iene japonês. O Ibovespa, por sua vez, recuperou perdas anteriores e encerrou o dia em alta de 1,88%, aos 177.158 pontos, espelhando o desempenho positivo das bolsas internacionais, como Dow Jones (+1,19%), S&P 500 (+1,67%) e Nasdaq (+2,78%). No Brasil, a expectativa de redução da taxa Selic também contribuiu para o otimismo.
No mercado de petróleo, os preços internacionais registraram queda após a forte alta do dia anterior. O barril do Brent recuou 1,37% para US$ 86,88, e o WTI caiu 1,03%, fechando a US$ 83,59. Apesar dos ataques no Oriente Médio, o mercado avaliou que não houve interrupção permanente no fornecimento global, e a atenção se volta agora para a reunião da Opep+ neste domingo, onde novos níveis de produção poderão ser discutidos.

