A moeda americana encerrou a sessão desta quarta-feira (29) em queda frente ao real, cotada a R$ 5,108, em um pregão influenciado pela decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, de manter sua taxa básica de juros inalterada.
O mercado financeiro reagiu ao tom considerado mais ameno do discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, e à divisão interna entre os dirigentes da autoridade monetária americana. Em paralelo, o preço do petróleo registrou uma forte alta, aproximando-se de 7%, em meio ao acirramento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
A divisa americana passou grande parte do dia oscilando perto da estabilidade, com investidores aguardando o pronunciamento do Fed. Na mínima do dia, o dólar chegou a ser negociado a R$ 5,09, mas reverteu parte das perdas ao final do pregão, fechando em R$ 5,018, uma desvalorização de 0,27%.
Após a confirmação da manutenção dos juros, conforme amplamente esperado, o dólar perdeu força em âmbito global. As perdas se acentuaram durante a coletiva de imprensa de Warsh, que, apesar de reiterar o compromisso do Fed com a meta de inflação de 2%, sinalizou dados recentes positivos para o controle de preços, o que foi interpretado como um discurso menos agressivo.
A decisão de manter os juros, no entanto, não foi unânime. Nove membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) votaram pela manutenção, enquanto outros três defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual. Mesmo com a divisão, o mercado continua precificando uma probabilidade considerável de elevação dos juros na próxima reunião, em setembro.
O cenário cambial também foi impulsionado pelo maior interesse em operações de carry trade, beneficiadas pela diferença nas taxas de juros entre Brasil e Estados Unidos. A valorização do petróleo, que melhora o fluxo de recursos para o país, exportador do commodity, também contribuiu para o movimento. Notícias internas, como o saldo positivo de empregos e o superávit da balança comercial, tiveram menor impacto.
Na bolsa de valores brasileira, o Ibovespa apresentou queda de 1,52%, terminando o dia aos 173.885 pontos. O desempenho das ações de bancos foi um dos principais fatores de pressão sobre o índice.
O ambiente externo também pesou nos negócios. A divisão no Fed gerou incertezas sobre os próximos passos da política monetária americana, enquanto o aumento das tensões geopolíticas elevou a aversão ao risco nos mercados globais. Em Nova York, o índice S&P 500 recuou 1,55%, refletindo a cautela dos investidores.
As ações da Petrobras, as mais negociadas do Ibovespa, amenizaram parte das perdas do índice, acompanhando a forte alta das cotações internacionais do petróleo. Os papéis ordinários da estatal subiram 2,35%, e os preferenciais, 1,92%.
O preço do petróleo interrompeu uma sequência de quedas e avançou mais de 7%. O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou em alta de 7,32%, a US$ 88,09. O WTI, negociado nos Estados Unidos, subiu 6,56%, alcançando US$ 84,46.
O avanço nos preços do petróleo foi impulsionado pela retomada de confrontos no Oriente Médio, envolvendo forças americanas e grupos apoiados pelo Irã. Declarações do presidente Donald Trump sobre uma possível resposta militar e o risco de escalada do conflito em uma região produtora crucial também contribuíram para a alta. A queda nos estoques semanais de petróleo nos EUA, acima do esperado, também forneceu suporte aos preços.

