Um memorando de entendimento negociado entre o Irã e os Estados Unidos (EUA) estabelece um marco para a desescalada de conflitos regionais e a estabilidade em rotas comerciais vitais. O documento, com 14 pontos e divulgado pela mídia estatal iraniana e por veículos de imprensa americanos, prevê o fim imediato e permanente das guerras em andamento, incluindo as operações militares de Israel no Líbano e na Faixa de Gaza.
Um dos pontos cruciais do acordo é a definição da gestão do Estreito de Ormuz, uma via marítima estratégica por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. A administração desta zona passará a ser definida em conjunto pelo Irã, Omã e demais países do Golfo Pérsico, sob a supervisão de direito internacional aplicável. O memorando também estipula o levantamento de todas as sanções impostas contra o Irã e o compromisso de Teerã em não desenvolver armas nucleares, com fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU.
O acordo, intermediado pelo Paquistão e assinado remotamente, estabelece um prazo de 60 dias para a consolidação de um acordo final, prorrogável mediante consentimento mútuo. Entre as medidas de efeito imediato estão o fim do bloqueio naval imposto pelos EUA contra o Irã e a liberação de fundos iranianos anteriormente congelados. Um plano de US$ 300 bilhões está previsto para a reconstrução e o desenvolvimento econômico do Irã, com a participação de parceiros regionais.
O texto também reforça o respeito mútuo pela soberania e integridade territorial, com ambas as nações se comprometendo a não interferir nos assuntos internos uma da outra e a abster-se da ameaça ou uso da força. O memorando detalha ainda o fim do bloqueio naval americano em até 30 dias e a retirada de forças dos EUA das proximidades do Irã após a assinatura do acordo final. A passagem pelo Estreito de Ormuz será garantida como livre e gratuita por 60 dias, com o restabelecimento total do tráfego comercial em 30 dias.

