Advogado aponta uso seletivo de delações e interpretações distintas para os mesmos fatos; Gonet reafirma existência de trama golpista.
No julgamento que analisa a suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Em sustentação oral nesta quinta-feira, o advogado do ex-mandatário acusou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, de apresentar “contradições” na forma como tratou os fatos que embasam a acusação.
Segundo a defesa, a PGR teria adotado pesos diferentes para situações semelhantes: em alguns momentos, teria usado discursos e manifestações políticas como prova de tentativa de golpe, enquanto em outros teria relativizado indícios que poderiam apontar para a inexistência de crime. Além disso, os advogados questionaram a forma como delações foram empregadas, em especial a do tenente-coronel Mauro Cid, alegando que trechos teriam sido destacados de forma seletiva para reforçar a narrativa acusatória.
Paulo Gonet já havia antecipado respostas a esses questionamentos, defendendo que os elementos reunidos pela PGR — como rascunhos de decretos de intervenção, reuniões com militares e articulações entre aliados — compõem um conjunto sólido que evidencia a intenção de ruptura institucional. Em julho, nas alegações finais, o órgão pediu a condenação de Bolsonaro e de outros 33 acusados, sustentando que houve uma “trama golpista organizada e consciente”.
O Supremo Tribunal Federal deve prosseguir com o julgamento nos próximos dias, quando os ministros passarão a apresentar seus votos. O resultado poderá definir se Bolsonaro e os demais denunciados serão condenados por crimes contra o Estado democrático de direito.

