Deputado diz que exclusão de seu pai das urnas pode provocar sanções dos Estados Unidos e aliados, questionando legitimidade do processo eleitoral.
Em declarações que acirraram ainda mais o clima político brasileiro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL‑SP) afirmou nesta semana que os Estados Unidos e seus principais aliados “podem não reconhecer” as eleições presidenciais de 2026 caso o ex‑presidente Jair Bolsonaro continue impedido de disputar o pleito. Para Eduardo, a exclusão do pai da corrida eleitoral comprometeria a transparência e a legitimidade do processo aos olhos da comunidade internacional.
“Sem o principal líder da oposição, sem aquele que lidera todas as pesquisas, as eleições perdem legitimidade. E não tenho dúvida de que os EUA, junto com outros países, vão se posicionar”, disse o deputado durante entrevista a uma emissora brasileira. Segundo ele, a presença de Bolsonaro nas urnas seria “fundamental para garantir que o Brasil continue sendo visto como uma democracia”.
A declaração ocorre no momento em que Jair Bolsonaro cumpre a inelegibilidade determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o proibiu de concorrer até 2030, acusado de abuso de poder político e ataques às instituições após as eleições de 2022. Para aliados do ex‑presidente, a decisão foi um golpe contra a vontade popular e a normalidade democrática.
Pressão internacional?
Eduardo, que atualmente reside nos Estados Unidos e se apresenta como porta‑voz da família Bolsonaro no exterior, reforçou que pretende mobilizar aliados norte‑americanos e europeus para pressionar o Brasil a rever as punições impostas ao ex‑presidente. “Os EUA sempre defenderam eleições limpas e justas. Não vão carimbar uma fraude”, declarou.
O comentário, porém, levantou críticas imediatas de juristas e parlamentares da base governista, que acusaram Eduardo de tentar sabotar a soberania nacional e trazer atores estrangeiros para uma disputa doméstica. “Essa narrativa é perigosa e irresponsável. Nenhum país tem autoridade para interferir nas regras do jogo democrático do Brasil”, afirmou o senador Randolfe Rodrigues (sem partido‑AP).
Riscos à estabilidade
Analistas apontam que a estratégia de Eduardo pode elevar o grau de polarização e colocar em xeque a já frágil relação entre os Poderes no Brasil. Para o cientista político Sérgio Praça, da FGV, a fala do deputado é “uma tática para manter a militância mobilizada e internacionalizar uma narrativa de vitimização”. Mas ele alerta para os riscos: “Essa retórica pode abrir espaço para sanções ou desgastar as relações diplomáticas do Brasil desnecessariamente”.
A aposta bolsonarista
Para os apoiadores de Jair Bolsonaro, no entanto, a pressão internacional é legítima. “O mundo inteiro precisa saber que o Brasil está virando uma ditadura”, diz um deputado aliado sob reserva. Eduardo, por sua vez, reafirma que sua missão é garantir que o país chegue a 2026 “com todas as cartas na mesa e sem perseguições”.
O cenário
Com Jair Bolsonaro fora da disputa até segunda ordem e a direita dividida entre possíveis nomes alternativos, como Tarcísio de Freitas (PL) e Romeu Zema (Novo), a fala de Eduardo revela a aposta de seu grupo em um retorno do ex‑presidente como candidato e símbolo da oposição — mesmo que, para isso, seja preciso tensionar relações internacionais.
Para a democracia brasileira, o episódio reacende o debate sobre a influência externa no processo eleitoral e sobre a maturidade institucional do país para lidar com disputas cada vez mais radicalizadas.

