Em um discurso contundente durante a Cúpula do G7 em Évian, França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva instou as nações mais ricas do mundo a intensificar seus esforços para combater a crescente desigualdade global. Lula destacou que a disparidade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento tem se agravado, contrastando a prosperidade observada em locais como Évian com a realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global.
Convidado para o encontro das principais economias mundiais, o presidente brasileiro enfatizou a necessidade de reformar um sistema que, segundo ele, gera riqueza abundante, mas distribui oportunidades de maneira desigual. “Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”, declarou Lula.
O líder brasileiro também criticou a redução do financiamento para programas humanitários e de saúde, citando a diminuição de verbas para o Programa Mundial de Alimentos, a Organização Mundial da Saúde e o UNICEF. Ele lamentou que guerras e conflitos desviem o foco das agendas de desenvolvimento, enquanto os gastos militares anuais ultrapassam a marca de US$ 3 trilhões, impactando diretamente a vida de milhões em países em desenvolvimento que sofrem com a falta de acesso à alimentação, educação e saúde.
Lula ressaltou que o mundo em desenvolvimento transfere anualmente US$ 1,4 trilhão em serviço de dívida, um valor sete vezes maior do que a ajuda recebida das nações ricas. Ele relembrou sua participação na Cúpula do G8 em 2003, observando que, apesar de desafios persistentes ao longo das décadas, respostas coletivas e duradouras ainda não foram plenamente alcançadas.
O presidente criticou discursos que promoveram a desregulamentação, o Estado mínimo e a austeridade, afirmando que o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como soluções equivocadas para problemas complexos. Em uma alusão à concentração de riqueza, Lula mencionou que o indivíduo mais rico do mundo possui mais bens do que os 46% mais pobres da população global.
Finalizando, Lula apontou a Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento como um indicativo do caminho a ser seguido, concluindo que o principal obstáculo não é a escassez, mas sim a falta de implementação e de vontade política para promover mudanças significativas.

