O mercado de trabalho brasileiro registrou um desempenho notável no trimestre encerrado em novembro, com um aumento expressivo de 2,6% no número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado. Este crescimento adicionou 1 milhão de novos postos formais, elevando o total para um recorde de 39,4 milhões de empregados com carteira assinada, excluindo os trabalhadores domésticos. Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), indicam uma trajetória de sustentação para a formalização do emprego.
No setor público, a marca recorde também foi atingida, com 13,1 milhões de trabalhadores com carteira assinada, representando um acréscimo de 1,9% (ou 250 mil pessoas) no trimestre e 3,8% (ou 484 mil pessoas) no ano. Essa expansão consolidada, segundo Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, demonstra um movimento que tem sido mantido ao longo de 2024 e se projeta para 2025.
Paralelamente, a taxa de desemprego atingiu 5,2%, o menor índice registrado desde 2012, consolidando uma tendência de queda sucessiva observada desde o trimestre encerrado em junho de 2025. Esse cenário otimista contrasta com a estabilidade apresentada pelos trabalhadores sem carteira assinada no setor privado, que se mantiveram em 13,6 milhões no trimestre, embora tenham recuado 3,4% anualmente. Já os trabalhadores por conta própria alcançaram um novo recorde histórico de 26 milhões, com um aumento anual de 2,9%.
A formalização ganhou força, refletindo na queda da proporção de trabalhadores informais. No trimestre analisado, a informalidade representou 37,7% da população ocupada, totalizando 38,8 milhões de trabalhadores, um recuo em relação ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2024. Beringuy destacou que o crescimento da população ocupada total, combinado com a retração do ramo informal, sinaliza uma perda de força da informalidade no mercado de trabalho.
Um fator relevante para essa dinâmica foi o expressivo crescimento de 2,6% no segmento da administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que adicionou 492 mil pessoas. Este setor, mesmo com contratos temporários, especialmente na educação, é considerado formal e legalmente constituído.
Adicionalmente, o rendimento médio real habitual da população ocupada atingiu um novo pico de R$ 3.574, um aumento de 1,8% no trimestre e 4,5% anualmente, já descontada a inflação. Essa alta foi impulsionada principalmente pelos setores de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas. Houve ganhos anuais em cinco atividades principais: Agricultura e pecuária, Construção, Informação e Atividades Financeiras, Administração pública e Serviços domésticos. Consequentemente, a massa de rendimento real habitual também bateu um recorde, alcançando R$ 363,7 bilhões.

